Justiça

Maior traficante de aves silvestres do país é condenado a 18 anos de prisão

Weber Sena Oliveira foi condenado por organização criminosa, tráfico de animais silvestre, maus-tratos com resultado morte, lavagem de capitais e receptação qualificada

Por 7Segundos, com Assessoria 26/01/2026 16h04 - Atualizado em 26/01/2026 17h05
Maior traficante de aves silvestres do país é condenado a 18 anos de prisão
Aves como estevão, canário, chorão, papa-capim, trinca-ferro, azulão, pássaro preto, entre outros, eram capturados, com utilização de armadilhas e redes de 20 metros de comprimento - Foto: Assessoria

Organização criminosa, tráfico de animais silvestre, maus-tratos com resultado morte, lavagem de capitais e receptação qualificada são os crimes pelos quais foi condenado a 18 anos de prisão Weber Sena Oliveira, conhecido como “Paulista”, identificado como o maior traficante de aves silvestres do país. Ele estava preso preventivamente desde setembro de 2025, após investigação conjunta dos Ministérios Públicos dos Estados de Alagoas (MPAL) e da Bahia (MPBA) durante a Operação “Fauna Protegida”.

Além dele, também foram condenados pela Justiça da Bahia Ivonice Silva e Silva, companheira de “Paulista” e apontada como operadora financeira da Orcrim, Uallace Batista Santos, Josevaldo Moreira Almeida, Ademar de Jesus Viana, Messias Bispo dos Santos e Gilmar José dos Santos, todos apontados pelo MPAL e MPBA como integrantes da Organização Criminosa (Orcrim) que agia contra o meio ambiente e a vida dos animais silvestres.

Antes da prisão em setembro de 2025, “Paulista”, apontado como líder da Orcrim, havia sido preso em janeiro do mesmo ano, quando foi flagrado por uma blitz na rodovia BR-101, nas proximidades de Itabuna, Sul da Bahia, enquanto transportava de forma ilegal 135 pássaros silvestres.

A prisão o colocou no centro das investigações dos Ministérios Públicos dos Estados de Alagoas e da Bahia (MPAL e MPBA). Em setembro, após ser preso no município de Mascote (BA) pela Operação Fauna Protegida, ele e os demais integrantes da Orcrim foram denunciados à Justiça.

“O nosso foco da investigação teve como alvo o Weber Sena de Oliveira, mais conhecido como Paulista, que era responsável pela organização e captura de animais silvestres em grandes quantidades. Ele mantinha-os em cativeiro e fazia o seu transporte, além de praticar a operacionalização da lavagem dos capitais envolvidos no comércio ilícito do tráfico de animais”, detalhou o promotor de Justiça Kleber Valadares, coordenador do Núcleo de Meio Ambiente do MPAL.

“Para além disso, o denunciado e agora condenado ainda fazia o encaminhamento dos espécimes para receptadores com poder financeiro considerável, e por vários locais do Brasil, seja para a região Nordeste, seja para a região Sudeste, arregimentando dezenas de traficantes. Tal prática ilegal foi realizada durante mais de 30 anos, com grande prejuízo ao meio ambiente”, acrescentou o promotor de Justiça.

Movimentação financeira

Conforme as investigações dos MPs, apenas em seis meses, de fevereiro a agosto de 2023, foram movimentados quase R$ 500 mil nas contas de Ivonice Silva e Silva, companheira de ‘Paulista’ e também condenada. Ela foi apontada como a operadora financeira da organização criminosa, responsável por receber os depósitos pela entrega das “encomendas”, que chegavam a conter mais de mil pássaros de uma só vez, e de realizar os pagamentos aos fornecedores do sudeste e norte da Bahia e nordeste de Minas Gerais.

As apurações apontaram que parcela significativa das transferências bancárias partiu de terminais de autoatendimento da cidade de Magé, no Rio de Janeiro, onde reside Valter Nélio, conhecido como ‘Juninho de Magé’. Assim como Weber e Ivonice, ele também foi acusado por lavagem de dinheiro.

Aves como estevão, canário, chorão, papa-capim, trinca-ferro, azulão, pássaro preto, entre outros, eram capturados, com utilização de armadilhas e redes de 20 metros de comprimento que possibilitavam apreender até 500 passarinhos em um único dia. Há registros de venda de aves por R$ 80 mil.

Segundo os promotores de Justiça Kleber Valadares e Aline Salvador, respectivamente do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente do MPAL e da Promotoria de Justiça Regional do Meio Ambiente do MPBA, dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) indicam que 90% dos bichos capturados não sobrevivem durante o transporte, morrendo por maus-tratos, estresse ou condições precárias.

A rota do tráfico de animais silvestres (do sudeste da Bahia e nordeste de Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro) foi identificada, por meio de estudo do projeto ‘Libertas’, da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), a partir de 31 manchas de calor que indicam a recorrência das apreensões oriundas do tráfico de animais.