Acidentes

Máquinas afundam em obra nos Flexais e expõem instabilidade do solo em Maceió

Professor da UFAL afirma que episódio reforça riscos geotécnicos já apontados por estudos sobre subsidência na capital

Por 7Segundos 04/02/2026 09h09 - Atualizado em 04/02/2026 09h09
Máquinas afundam em obra nos Flexais e expõem instabilidade do solo em Maceió
Professor da UFAL afirma que episódio reforça riscos geotécnicos já apontados por estudos sobre subsidência na capital - Foto: Reprodução

Imagens divulgadas nas redes sociais pelo arquiteto e urbanista Dilson Batista Ferreira, professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), mostram máquinas de construção afundando em um trecho do Flexal de Baixo, no bairro do Bebedouro, em Maceió. A área integra a zona afetada pelo processo de afundamento do solo que vem sendo monitorado por estudos técnicos e relatórios oficiais nos últimos anos.

Em vídeo publicado no Instagram, Dilson explica que o equipamento utilizado nas obras é um trator de esteira, projetado para atuar em terrenos instáveis e encharcados. Apesar disso, ele ressalta que a fragilidade do solo pode ultrapassar os limites de operação de qualquer máquina, além de não descartar a possibilidade de falhas operacionais que tenham contribuído para o ocorrido.

O professor contextualiza o episódio dentro de um cenário mais amplo de problemas geológicos e urbanísticos nos Flexais. Segundo ele, a região apresenta indícios de movimentação do terreno e fragilidade estrutural, já identificados por pesquisas científicas e análises de órgãos técnicos. Estudos apontam que o fenômeno de subsidência em Maceió é contínuo e pode estar associado à extração de sal-gema, processo que já provocou a desocupação de bairros inteiros e o deslocamento de milhares de moradores.

Dilson também tem produzido pareceres técnicos sobre a situação dos Flexais, nos quais defende que a realocação das famílias para áreas seguras pode ser a única solução viável diante do risco geotécnico e do isolamento socioeconômico agravado pela instabilidade do solo e pela ausência de intervenções estruturais amplas.

Para o urbanista, o afundamento das máquinas é mais um indicativo das condições críticas do terreno na região. Ele defende a necessidade de monitoramento permanente, avaliações técnicas rigorosas e ações integradas entre poder público, sociedade civil e especialistas em geotecnia e urbanismo, com o objetivo de reduzir riscos e garantir a segurança da população e da infraestrutura urbana.