[Vídeo] Vereadora denuncia importunação sexual em parque aquático no Ceará
Em um vídeo publicado em redes sociais, Andreza contou que ficou sem reação diante do assédio, fingiu naturalidade para a filha e desceu do toboágua
A vereadora licenciada do Recife Andreza Romero (PSB) denunciou à polícia um funcionário do parque aquático Beach Park, no Ceará, por assédio sexual. O caso aconteceu na sexta-feira (6).
O que aconteceu
Andreza afirma que acompanhava a filha de três anos em um brinquedo quando foi apalpada pelo funcionário. Ela conta que estava subindo a escada da atração Áqua Show, que fica na área infantil do parque, quando o funcionário passou por ela e "passou deliberadamente a mão de uma nádega a outra".
Em um vídeo publicado em redes sociais, Andreza contou que ficou sem reação diante do assédio, fingiu naturalidade para a filha e desceu do toboágua. Ela estava no local com os três filhos e com uma babá.
"Eu sempre imaginei que se eu passasse por uma situação como essa, eu ia reagir na mesma hora, eu ia gritar, eu ia fazer escândalo, mas não foi bem assim. Não foi assim que aconteceu. Eu travei, eu fiquei em choque. Fiquei com muito nojo."
- Andreza Romero, em vídeo publicado nas redes sociais
Ela conta que percebeu que o funcionário continuou monitorando a reação dela de cima do brinquedo, após a descida. "Eu percebi naquela hora que não foi acidente", afirmou.
A vereadora licenciada procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência por importunação sexual. Depois disso, ela procurou o Beach Park. Ontem, ela informou que o parque a acolheu. Andreza também publicou uma imagem olhando as câmeras de segurança do local.
"Se ele fez isso comigo, vereadora, advogada, mãe, em uma área cheia de criança. Comigo, que eu sou uma adulta, ele teve coragem. Imagine com uma criança que não sabe nem o que está acontecendo?"
- Andreza Romero, em vídeo publicado nas redes sociais
Hoje à tarde, a vereadora licenciada comentou o caso nas redes sociais do UOL. Ela disse que o episódio não é apenas sobre o local onde ocorreu, mas sobre situações de assédio vividas por mulheres no cotidiano. "O que aconteceu comigo não é sobre o lugar. Todos os dias, sofremos situações como essa em casa, na rua, no trabalho, num passeio."
Andreza afirmou que denunciou o caso também por outras vítimas de violência. Ela ainda destacou que o assédio aconteceu às vésperas do Dia da Mulher. "Isso deixa o recado ainda mais duro e importante: desde o primeiro dia da mulher, ainda precisamos lutar pelos mesmos direitos, ano após ano."
Beach Park afirmou que funcionário foi afastado do cargo. Em nota enviada ao UOL, a empresa disse que está em contato com a vereadora e que presta os esclarecimentos e apoio sobre o caso.
"Estamos cientes da importância de garantir a segurança dos nossos frequentadores em todas as situações. Todos os colaboradores passam por treinamentos para conhecimento do nosso código de conduta que veda todo tipo de comportamento inadequado."
- Beach Park, em nota.
Polícia Civil informou que investiga o caso e solicitou imagens ao parque e a identificação do suspeito. "No momento, diligências seguem em andamento para elucidar o caso."
Prefeito, Câmara Municipal do Recife e PSB emitiram nota em apoio à parlamentar. João Campos (PSB) chamou o caso de "revoltante" em publicação nas redes sociais.
Como denunciar violência sexual
Vítimas de violência sexual não precisam registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde, mas o exame de corpo de delito só pode ser realizado com o boletim de ocorrência em mãos. O exame pode apontar provas que auxiliem na acusação durante um processo judicial, e podem ser feitos a qualquer tempo depois do crime. Mas por se tratar de provas que podem desaparecer, caso seja feito, recomenda-se que seja o mais próximo possível da data do crime.
Em casos flagrantes de violência sexual, o 190, da Polícia Militar, é o melhor número para ligar e denunciar a agressão. Policiais militares em patrulhamento também podem ser acionados. O Ligue 180 também recebe denúncias, mas não casos em flagrante, de violência doméstica, além de orientar e encaminhar o melhor serviço de acolhimento na cidade da vítima. O serviço também pode ser acionado pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
Legalmente, vítimas de estupro podem buscar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para tomar medicação de prevenção de infecção sexualmente transmissível, ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente. Na prática, nem todos os hospitais fazem o atendimento. Para aborto, confira neste site as unidades que realmente auxiliam as vítimas de estupro.
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