Defensor público denuncia controle exclusivo da Braskem sobre dados geológicos
Ricardo Melro mostrou indignação com blindagem
O defensor público Ricardo Melro fez uma postagem nas redes sociais revoltado com a situação dos dados geológicos de Maceió. Na publicação feita neste domingo (5), ele denunciou o controle exclusivo da Braskem sobre as informações do afundamento do solo na cidade e mostrou indignação com a ‘blindagem’.
Ricardo Melro mostrou revolta com a situação em que a Braskem e órgãos como Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais - Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Defesa Civil Nacional (DCN) e (Defesa Civil Municipal (DCM) não acolheram o relatório independente sob o argumento de que ele não teria sido elaborado com dados suficientes.
Melro denunciou o controle exclusivo da Braskem aos dados afundamento do solo. “ Diante disso, os próprios pesquisadores independentes, por compromisso com a ciência e com o interesse público, se dispuseram a revisar e complementar o trabalho, mesmo já considerando consistente o estudo produzido. Para isso, eles solicitaram acesso direto a maior e mais completa base de dados sobre o desastre em Maceió que, pasmem, está sob controle da Braskem. E o que ouviram? Que esse acesso ainda precisaria de ‘amadurecimento’. Como se estivessem pedindo acesso a um segredo de Estado”, escreveu e postando documentos na postagem.
“Vale dizer: criticam a pesquisa por suposta limitação de dados. Os pesquisadores pedem acesso ao banco mais completo existente. E negam o acesso. É uma esculhambação. Ora, quem define o que é necessário para complementar um estudo técnico são os próprios pesquisadores. Se os autores do relatório indicam que o acesso direto à plataforma é importante para complementar a análise, o mínimo que se esperava era a liberação imediata”, postou.
Ricardo Melro foi além nas denúncias. “E há algo ainda mais podre: essa base de dados está sob a custódia da própria Braskem. É ela quem decide quem pode acessar — como os próprios órgãos afirmam nas imagens, eles não têm controle. É a raposa tomando conta do galinheiro”, comparou.
Melro afirmou que o que está acontecendo não é normal. “E transferem a culpa e a responsabilidade para o MPF, que está ciente de tudo, porque nós mesmos informamos e pedimos providências. Um acervo dessa importância deveria estar sob controle do poder público, com acesso amplo e transparente. O que se vê, no entanto, é resistência, controle e um cenário que, de tão absurdo, ainda tentam tratar como normal. Não é”, ressaltou.
O defensor finalizou o texto que vai continuar buscando os meios judiciais. Há algo profundamente errado nisso tudo. Iremos, mais uma vez, à Justiça. Será que o Judiciário também tratará algo tão grave como normal? Revoltante. Essa blindagem tem que acabar”, concluiu.
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