Justiça

‘Ele é irrecuperável’, diz promotor ao detalhar frieza e perversidade de Albino em 7º júri

Ao falar aos jurados, o promotor afirmou que Albino demonstrava prazer na repercussão dos crimes e mantinha uma espécie de 'portfólio' dos assassinatos

Por Wanessa Santos 15/05/2026 13h01 - Atualizado em 15/05/2026 13h01
‘Ele é irrecuperável’, diz promotor ao detalhar frieza e perversidade de Albino em 7º júri
O promotor de Justiça Thiago Riff, e o réu, Albino Santos de Lima, o serial killer de Alagoas - Foto: Anderson Macena/DICOM MPAL

Durante a sequência do 7º julgamento de Albino Santos de Lima, conhecido como o “serial killer de Alagoas”, o promotor de Justiça Thiago Riff concentrou sua sustentação nas provas reunidas pela investigação, no comportamento considerado obsessivo do réu e na insistência dele em alegar insanidade mental, apesar dos laudos psiquiátricos apontarem plena capacidade de entendimento dos próprios atos.

Ao falar aos jurados, o promotor afirmou que Albino demonstrava prazer na repercussão dos crimes e mantinha uma espécie de “portfólio” dos assassinatos. Segundo o Ministério Público, no celular do acusado foram encontradas coleções de reportagens, fotos das vítimas, pastas intituladas “mortes especiais” e “odiados no Instagram”, além de prints feitos das redes sociais de familiares após os homicídios.

7º julgamento de Albino Santos de Lima / Anderson Macena/DICOM MPAL

“O mesmo dia em que cometia os crimes, ele começava a salvar reportagens e imagens. Ele sentia prazer nos holofotes”, afirmou o promotor.

O júri desta sexta-feira (15), realizado no Fórum do Barro Duro, em Maceió, analisa o assassinato de Josenildo Siqueira Silva Filho, de 25 anos, morto em janeiro de 2024. De acordo com o Ministério Público, Albino perseguia a esposa da vítima pelas redes sociais e, após não ter suas investidas correspondidas, passou a monitorar o casal.

Durante a sustentação, o promotor apresentou vídeos de depoimentos prestados por testemunhas e pelo próprio Albino na delegacia. Em uma das gravações, a viúva da vítima relata que o acusado a observava “com olhar de desejo” antes do crime. Já no interrogatório policial exibido no plenário, Albino atribui o assassinato ao “Arcanjo Miguel” e afirma estar “possuído”.

A tese voltou a ser sustentada pelo réu durante o julgamento, assim como pela defesa, que insistiu que Albino não deveria ser condenado porque agia sob influência espiritual. O argumento, porém, foi confrontado pelo Ministério Público com o laudo psiquiátrico anexado aos autos, que conclui que o acusado é totalmente imputável.

“Ele sabe muito bem que o que faz é errado. Só não sente culpa, remorso ou empatia”, afirmou Thiago Riff aos jurados.

Em um dos momentos mais duros da sustentação, o promotor classificou o réu como alguém sem possibilidade de recuperação.

“Ele é irrecuperável, não tem tratamento para perversidade, para o prazer no sofrimento alheio, para a falta de culpa”, disse.

O Ministério Público também destacou contradições nos relatos do acusado ao longo das investigações. Inicialmente, Albino negou participação no crime.

Depois, atribuiu a autoria ao “Arcanjo Miguel”. Já no júri, passou a alegar que teria agido após supostamente ter sido assaltado pela vítima meses antes.

Segundo o MP, o comportamento reforça o padrão já identificado em outros processos: planejamento, perseguição às vítimas e tentativas constantes de manipular a narrativa dos crimes. O julgamento segue em andamento.