‘Ele é irrecuperável’, diz promotor ao detalhar frieza e perversidade de Albino em 7º júri
Ao falar aos jurados, o promotor afirmou que Albino demonstrava prazer na repercussão dos crimes e mantinha uma espécie de 'portfólio' dos assassinatos
Durante a sequência do 7º julgamento de Albino Santos de Lima, conhecido como o “serial killer de Alagoas”, o promotor de Justiça Thiago Riff concentrou sua sustentação nas provas reunidas pela investigação, no comportamento considerado obsessivo do réu e na insistência dele em alegar insanidade mental, apesar dos laudos psiquiátricos apontarem plena capacidade de entendimento dos próprios atos.
Ao falar aos jurados, o promotor afirmou que Albino demonstrava prazer na repercussão dos crimes e mantinha uma espécie de “portfólio” dos assassinatos. Segundo o Ministério Público, no celular do acusado foram encontradas coleções de reportagens, fotos das vítimas, pastas intituladas “mortes especiais” e “odiados no Instagram”, além de prints feitos das redes sociais de familiares após os homicídios.

“O mesmo dia em que cometia os crimes, ele começava a salvar reportagens e imagens. Ele sentia prazer nos holofotes”, afirmou o promotor.
O júri desta sexta-feira (15), realizado no Fórum do Barro Duro, em Maceió, analisa o assassinato de Josenildo Siqueira Silva Filho, de 25 anos, morto em janeiro de 2024. De acordo com o Ministério Público, Albino perseguia a esposa da vítima pelas redes sociais e, após não ter suas investidas correspondidas, passou a monitorar o casal.
Durante a sustentação, o promotor apresentou vídeos de depoimentos prestados por testemunhas e pelo próprio Albino na delegacia. Em uma das gravações, a viúva da vítima relata que o acusado a observava “com olhar de desejo” antes do crime. Já no interrogatório policial exibido no plenário, Albino atribui o assassinato ao “Arcanjo Miguel” e afirma estar “possuído”.
A tese voltou a ser sustentada pelo réu durante o julgamento, assim como pela defesa, que insistiu que Albino não deveria ser condenado porque agia sob influência espiritual. O argumento, porém, foi confrontado pelo Ministério Público com o laudo psiquiátrico anexado aos autos, que conclui que o acusado é totalmente imputável.
“Ele sabe muito bem que o que faz é errado. Só não sente culpa, remorso ou empatia”, afirmou Thiago Riff aos jurados.
Em um dos momentos mais duros da sustentação, o promotor classificou o réu como alguém sem possibilidade de recuperação.
“Ele é irrecuperável, não tem tratamento para perversidade, para o prazer no sofrimento alheio, para a falta de culpa”, disse.
O Ministério Público também destacou contradições nos relatos do acusado ao longo das investigações. Inicialmente, Albino negou participação no crime.
Depois, atribuiu a autoria ao “Arcanjo Miguel”. Já no júri, passou a alegar que teria agido após supostamente ter sido assaltado pela vítima meses antes.
Segundo o MP, o comportamento reforça o padrão já identificado em outros processos: planejamento, perseguição às vítimas e tentativas constantes de manipular a narrativa dos crimes. O julgamento segue em andamento.
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