[Vídeo] Servidores públicos são investigados por participação em golpe do falso cadastro habitacional
Segunda fase da Operação Teto de Vidro identificou servidor municipal e servidor estadual suspeitos de captar vítimas e ajudar na movimentação de dinheiro obtido com fraudes
A Polícia Civil de Alagoas deflagrou, nesta terça-feira (9), a segunda fase da Operação Teto de Vidro e ampliou as investigações sobre o esquema conhecido como golpe do falso cadastro habitacional. Nesta etapa, o foco dos investigadores foi identificar pessoas que, embora inicialmente tenham sido apontadas como vítimas, passaram a atuar na captação de novos alvos para a fraude.
De acordo com a delegada responsável pelo caso, Michelly Santos, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão com o objetivo de localizar bens e valores que possam ser utilizados futuramente para ressarcir as vítimas. As investigações também revelaram a participação de dois servidores públicos no esquema: um servidor comissionado do município e um servidor estadual.
Segundo a Polícia Civil, o servidor municipal utilizava sua posição para atrair e selecionar novas vítimas. Michelly Santos destacou que a atuação dele ocorreu de forma individual, sem qualquer envolvimento da secretaria onde trabalhava ou da administração municipal.
“Foi identificado que um funcionário do município à época, hoje já afastado do cargo, participou isoladamente do golpe. Não houve participação da secretaria nem da gestão municipal, mas sim desse funcionário específico”, explicou a delegada.
Já o servidor estadual também é investigado por envolvimento no esquema, mas sem utilizar diretamente sua função pública para aplicar as fraudes. Durante o cumprimento dos mandados em sua residência, os policiais encontraram diversos documentos relacionados a veículos, incluindo registros de automóveis de luxo, além de documentos que indicam transferências de bens, terrenos e valores por terceiros.
As investigações apontam que os suspeitos utilizavam uma estrutura de movimentação financeira para dificultar o rastreamento do dinheiro. Conforme a delegada Michelly Santos, os valores obtidos com as fraudes eram enviados para contas de pessoas ligadas ao grupo e, posteriormente, retornavam aos responsáveis pelo esquema, em um possível processo de lavagem de dinheiro.
“O esquema possuía uma blindagem patrimonial muito grande. O dinheiro passava por contas de terceiros antes de retornar ao líder da organização”, afirmou.
O principal suspeito de comandar o golpe foi preso durante a primeira fase da Operação Teto de Vidro e continua detido. Nesta nova etapa, os policiais buscam identificar todos os envolvidos que ajudaram a movimentar recursos e a ampliar a rede de vítimas.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e não descarta a identificação de novos participantes no esquema. A orientação é para que possíveis vítimas procurem as autoridades e registrem boletim de ocorrência, contribuindo para o avanço das apurações.
Veja a reportagem:
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