Geral

Paraibana de 10 anos dá dicas a técnico da Seleção Brasileira em vídeos: 'Ancelotti, anota aí'

Maria Gabriela Lira, de Campina Grande, compartilha análises sobre a Seleção Brasileira nas redes sociais e usa o futebol para incentivar outras meninas a acreditarem nos próprios sonhos

Por 7Segundos, com G1 21/06/2026 09h09 - Atualizado em 21/06/2026 09h09
Paraibana de 10 anos dá dicas a técnico da Seleção Brasileira em vídeos: 'Ancelotti, anota aí'
Aos 10 anos, Gabi fala de futebol com propriedade e quebra estereótipos nas redes sociais - Foto: Arquivo Pessoal/Gilson Lira

Enquanto a maioria das crianças da mesma idade acompanha a Copa do Mundo apenas como torcedora, a campinense Maria Gabriela Lira, de 10 anos, vai além. Conhecida como Gabi nas redes sociais, ela analisa escalações, comenta estratégias, sugere substituições e grava vídeos direcionados ao técnico da Seleção Brasileira, o italiano Carlo Ancelotti.

Moradora de Campina Grande, no Agreste da Paraíba, Gabi cresceu cercada por diferentes atividades. Já praticou balé, natação, joga xadrez, gosta de desenhar e é fã do universo de Harry Potter. Ainda assim, foi no futebol que encontrou a principal paixão, capaz de transformar sua rotina e a forma como enxerga o mundo.

A espontaneidade que marca os vídeos de Gabi surgiu dentro de casa, em um momento simples: enquanto montava um álbum da Copa do Mundo ao lado do pai, Gilson Lira, a menina passou a comentar o trabalho do técnico Carlo Ancelotti, que acompanha desde os tempos de Real Madrid.

Entre uma figurinha e outra, ela lançou uma ideia que parecia apenas uma brincadeira.

“Papai, que tal eu gravar uns vídeos dando dicas para o Ancelotti?”, disse.

A sugestão arrancou boas risadas, mas também mostrou o que viria a seguir, uma menina que se sente confortável para opinar sobre o esporte e ocupar esse espaço.

Daquele momento nasceu o quadro “Ancelotti, Anota Aí!”, série publicada nas redes sociais em que Gabi analisa partidas, sugere mudanças na Seleção Brasileira e compartilha seu olhar sobre o futebol.

Com a naturalidade de quem conversa com amigos, ela defende jogadores, critica decisões táticas e apresenta argumentos sobre o que acredita ser o melhor para o time brasileiro.

Uma das opiniões que mais repercutiram foi a defesa do atacante Endrick. Em um dos vídeos, Gabi questionou a ausência do jogador em campo e lembrou partidas em que ele saiu do banco de reservas e foi decisivo em momentos importantes.

Gabi e sua relação com o futebol além do futebol

Gabi Lira é jogadora de futsal — Foto: Arquivo Pessoal/Gilson Lira


A rotina da menina ultrapassa o universo das opiniões sobre futebol. Por trás dos conteúdos que vêm chamando atenção nas redes, está uma criança que desafia estereótipos, ocupa espaços ainda marcados pela predominância masculina e inspira outras meninas a acreditarem que também podem sonhar com uma bola nos pés.

O primeiro contato mais intenso com o esporte aconteceu durante a pandemia, dentro de casa, em brincadeiras com o pai e o irmão mais velho. Entre dribles improvisados e disputas em família, nasceu uma relação que se fortaleceu com o tempo.

"Ela gostava de tentar me driblar e vencer as jogadas. Aos poucos, aquilo deixou de ser apenas uma brincadeira", relembra o pai, Gilson Lira.

Pouco tempo depois, Gabi pediu para entrar em uma escolinha de futebol. O que começou como uma atividade extracurricular acabou se tornando um caminho de dedicação ao esporte.

Hoje, atuando como pivô no futsal, ela acumula medalhas, troféus e reconhecimentos individuais. Em diversas competições, é uma das poucas meninas em quadra e, em alguns casos, a única. Ainda assim, nunca deixou que isso a intimidasse.

Mensagem para outras meninas

Gabi Lira comenta a Copa do Mundo, faz análises sobre a Seleção Brasileira, grava vídeos direcionados ao técnico Carlo Ancelotti e, sem planejar, acabou transformando o conteúdo em uma forma de inspiração para outras meninas que também gostam de futebol.

O que começou como uma brincadeira entre pai e filha ganhou outro significado à medida que os vídeos passaram a alcançar mais pessoas. Com o aumento da interação nas redes sociais, Gabi percebeu que muitas das mensagens recebidas vinham de meninas que se identificavam com o conteúdo e compartilhavam o mesmo interesse pelo esporte.

A partir disso, ela passou a enxergar os vídeos como uma forma de incentivo. A ideia, segundo a própria jovem atleta, é mostrar que meninas também podem ocupar espaços dentro do futebol e acreditar no próprio potencial.

A trajetória dela reforça essa mensagem. Acostumada a disputar campeonatos e treinar em equipes formadas, em grande parte, por meninos, Gabi aprendeu desde cedo a lidar com desafios dentro e fora de quadra e a provar, na prática, o seu talento.

Dessa vivência, surgiu uma frase que ela repete com frequência:

A declaração resume o propósito que Gabi busca transmitir nos vídeos publicados nas redes sociais. Ao mostrar gols, dribles, conquistas e análises sobre o esporte, ela tenta incentivar outras crianças a não desistirem dos próprios sonhos.

"Ela percebeu que muitas garotas acabam desistindo porque não recebem incentivo ou porque acreditam que o futebol não é para elas. Então passou a usar as redes sociais para mostrar justamente o contrário", conta o pai, Gilson Lira.

Para Gabi Lira, o futebol vai além da competição e do resultado em quadra. A forma como ela interpreta o jogo mostra uma relação mais ampla com o movimento, a criatividade e a expressão corporal.

Com passagem pelo balé, a jovem atleta costuma fazer conexões entre as duas práticas. Para ela, driblar também pode ser entendido como uma forma de arte, que envolve ritmo, leveza e improviso.

Essa percepção aparece no jeito como descreve o esporte, relacionando o futebol a elementos como ritmo, criatividade e expressão, características que, segundo ela, estão presentes tanto na dança quanto no jogo.

Dentro de quadra, essa visão se traduz em um estilo de jogo mais leve e criativo, marcado pela liberdade para tentar jogadas diferentes e pela naturalidade com a bola nos pés, relatou o pai ao g1.