Infraestrutura

[Vídeo] Boom imobiliário impõe desafios à mobilidade e a infraestrutura em Maceió

lExpansão da Região Norte consolida um novo vetor de desenvolvimento da capital

Por Giulianna Albuquerque com Danielle Ferro 08/07/2026 15h03 - Atualizado em 08/07/2026 15h03
[Vídeo] Boom imobiliário impõe desafios à mobilidade e a infraestrutura em Maceió
Prédios transformam litoral norte de Maceió - Foto: Reprodução

A Região Norte de Maceió vive uma transformação impulsionada pelo mercado imobiliário. Condomínios, edifícios, hospitais, escolas e centros empresariais estão mudando a paisagem de bairros como Jacarecica, Guaxuma, Garça Torta, Riacho Doce e Ipioca, que passaram a concentrar investimentos e novos moradores.

Para o especialista em mercado imobiliário Lauro Braga, esse movimento não aconteceu por acaso. Segundo ele, a região já apresentava sinais de crescimento há mais de uma década. "A gente já vinha tendo sinais de que aquela região iria crescer. Desde a gestão do Cícero Almeida algumas vias foram construídas. Depois veio o Parque Shopping, e quando um shopping chega a uma região ele traz todo um vetor de crescimento", explicou.

De acordo com Braga, outro marco importante foi a chegada do edifício Riviera, considerado por ele o primeiro empreendimento de alto padrão da região. "O Riviera foi o primeiro prédio a trazer uma demanda de alto padrão. Quando o alto padrão chega, toda uma cadeia de serviços vem junto. Aos poucos, a região começou a crescer e hoje vemos desde prédios de médio porte até empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida, além de shopping, hospital e escolas."

Segundo o especialista, a expansão também foi impulsionada pelas limitações do atual Plano Diretor em áreas como Cruz das Almas. As restrições para o remembramento de terrenos dificultaram novos empreendimentos naquele bairro, fazendo com que o mercado migrasse para localidades vizinhas. "A Cruz das Almas não conseguiu absorver todo esse crescimento. O mercado imobiliário acabou escoando para Jacarecica, Guaxuma, Garça Torta, Riacho Doce e Ipioca, que se tornaram o grande vetor de crescimento da Região Norte."

Déficit habitacional impulsiona expansão


Lauro Braga afirma que a valorização dos bairros tradicionais da orla também contribuiu para o avanço imobiliário na Região Norte. "Os bairros nobres ficaram praticamente impraticáveis. O metro quadrado subiu muito, principalmente pela procura de compradores de fora. A Região Norte passou a oferecer imóveis com preços mais acessíveis."

Ele também lembra que a redução dos lançamentos em áreas afetadas pelo afundamento do solo provocado pela Braskem contribuiu para aumentar o déficit habitacional na capital. "Depois do problema da Braskem, uma boa parte da cidade deixou de receber novos empreendimentos. Isso aumentou o déficit habitacional e inflacionou os preços dos imóveis."

Crescimento exige planejamento


Apesar de considerar positiva a expansão imobiliária, o especialista alerta que o desenvolvimento precisa ser acompanhado por investimentos em infraestrutura e mobilidade. "A gente olha por um lado e vê um crescimento desordenado. Isso causa trânsito porque você passa a ter prédios de alto, médio e baixo padrão numa mesma região, sem um planejamento adequado."

Para ele, a revisão do Plano Diretor é fundamental para organizar o crescimento urbano. "Precisamos discutir isso o mais rápido possível e trazer a sociedade para esse debate. Não pode ficar apenas nas mãos dos políticos e do mercado imobiliário. O desafio é encontrar um equilíbrio entre desenvolvimento e preservação ambiental."

Na avaliação de Lauro Braga, a tendência é que a Região Norte concentre cada vez mais moradores, empresas e serviços nos próximos anos. Segundo ele, hospitais, escolas e centros empresariais que estão sendo construídos vão atrair milhares de pessoas diariamente, tornando indispensáveis investimentos em mobilidade. "O Hospital Unimed, por exemplo, terá cerca de mil funcionários. Há empresariais com centenas de salas sendo construídos. Isso significa milhares de pessoas circulando diariamente. Precisamos olhar para o trânsito."

Ainda assim, Braga acredita que o crescimento é irreversível. "É um caminho sem volta. As pessoas estão buscando morar perto do trabalho. Esse é o novo luxo. O mercado imobiliário será a mola propulsora desse desenvolvimento, mas precisamos fazer esse crescimento acontecer de forma planejada."

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