Meio ambiente

Cágados voltam a aparecer no Riacho Salgadinho após revitalização

Assunto gerou repercussão em 2025, quando fortes chuvas provocaram o transbordamento do Riacho Salgadinho e dezenas de cágados foram parar nas ruas próximas

Por Wanessa Santos 15/07/2026 11h11 - Atualizado em 17/07/2026 09h09
Cágados voltam a aparecer no Riacho Salgadinho após revitalização
Imagens mostram alguns cágados dentro da água, cenário que já havia sido registrado anteriormente em anos anteriores - Foto: Reprodução / Vídeo - Biota

Vídeos que circulam nas redes sociais mostrando animais aquáticos no Riacho Salgadinho, em Maceió, chamaram a atenção de moradores nessa terça-feira (14), poucos dias após a entrega da obra de revitalização da área. Procurados pela reportagem do 7Segundos, especialistas identificaram os animais como cágados (popularmente conhecidos como cágados-de-barbicha) e esclareceram que a presença da espécie no riacho não é novidade.

Segundo o diretor executivo do Instituto Biota de Conservação, Bruno Stefanis, há registros da espécie no Salgadinho desde 2021. Na época, o próprio instituto fotografou e divulgou a presença dos cágados no local. Ele explicou, no entanto, que o Biota não irá se manifestar oficialmente sobre o novo aparecimento porque não atua diretamente com esse grupo de animais.

Bruno relembrou que, em 2025, durante um período de fortes chuvas, dezenas de cágados deixaram o leito do riacho após o transbordamento da água e acabaram circulando pelas ruas da região. Muitos morreram atropelados antes que fosse iniciado um trabalho de resgate.

Na ocasião, segundo o biólogo, o Ministério Público de Alagoas solicitou apoio ao Instituto Biota, que, em parceria com o Instituto do Meio Ambiente (IMA), resgatou mais de 30 animais e os encaminhou ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Ibama.

Ainda de acordo com Bruno Stefanis, após aquele episódio o Ministério Público instaurou um procedimento para discutir medidas de monitoramento da espécie com os órgãos envolvidos na revitalização do riacho. Conforme ele, representantes da Prefeitura de Maceió, da concessionária responsável pela obra e de outros órgãos participaram das tratativas, que resultaram em um acordo para manutenção e monitoramento dos animais. O diretor afirmou, porém, que o Biota não participou da elaboração desse plano.

Questionado pela reportagem se o reaparecimento dos cágados têm relação com a revitalização do Salgadinho ou se representa algum risco aos animais, o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) informou que os animais vistos na região ocorrem naturalmente naquele, e que os registros deles no Riacho Salgadinho não tem relação direta com as obras de revitalização.

De acordo com o IMA/AL, em períodos chuvosos é natural que o cágados sejam avistados com maior frequência, devido ao aumento do nível da água, e que essa é, na verdade, uma situação comum, e que segue acompanhando o monitoramento da espécie na região.

Confira na íntegra a fala do IMA/AL:

NOTA


O Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas (IMA/AL) informa que os cágados registrados no Riacho Salgadinho são animais silvestres que já ocorrem naturalmente na região, com registros anteriores às obras de revitalização. Em períodos de chuvas, é comum que esses animais se tornem mais visíveis devido ao aumento do nível da água, não havendo indicação de que o aparecimento esteja relacionado às intervenções realizadas no local.

O IMA/ AL acompanha o monitoramento da espécie e, em parceria com o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), atua na proteção desses animais, incluindo a exigência de plano de manejo da fauna durante a execução das obras de revitalização.


A reportagem também procurou a Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana (Alurb), que informou que assuntos relacionados à fauna não são de competência da pasta.

Em 2025, durante o resgate realizado após as chuvas, o Instituto Biota orientou que a população não manuseie animais silvestres nem tente devolvê-los ao habitat por conta própria. A recomendação é acionar os órgãos ambientais para que o resgate seja feito de forma adequada, evitando riscos tanto para os animais quanto para as pessoas.