Professor é condenado por injúria contra adolescente em escola de Maceió
Profissional foi condenado a sete anos por insulto contra aluno
Um professor de 45 anos foi condenado a sete anos e três meses de prisão pelos crimes de injúria racial e corrupção de menores, após ofender racialmente um aluno adolescente dentro da sala de aula, em uma escola particular de Maceió. A ação penal, ajuizada em março deste ano pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), foi julgada procedente nesta quarta-feira (2).
A atuação do MPAL no caso foi feita pelas 59ª e 60ª Promotorias de Justiça da Capital, por meio dos promotores de Justiça, Ricardo Libório e Dalva Tenório, na defesa dos direitos da vítima e no enfrentamento à prática de racismo no ambiente escolar. Além da pena privativa de liberdade, o réu foi condenado ao pagamento de indenização mínima de R$ 15 mil pelos danos causados à vítima.
Ofensa aconteceu dentro da sala de aula
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o caso ocorreu em 12 de fevereiro de 2026, em uma escola privada no bairro do Benedito Bentes, na capital. O acusado era professor do 8º ano e estava ministrando aula para a turma quando um dos alunos mostrou um caderno cuja capa trazia a imagem de um chimpanzé. Segundo os elementos reunidos durante a investigação, diante da pergunta sobre com quem a imagem se parecia, o professor apontou para um aluno negro, de 13 anos, fazendo com que os demais estudantes rissem. O professor foi demitido.
Em depoimento, o adolescente contou que ficou profundamente abalado com o episódio e que, nos dias seguintes, continuou sendo alvo de chacotas na escola. O estudante chegou a relatar que criou resistência para voltar ao colégio e que, apenas retornou à unidade de ensino depois de saber que o professor havia sido afastado.
A investigação também reuniu depoimentos de outros alunos que também estavam na sala. Eles confirmaram que o professor apontou para a vítima após a pergunta relacionada à imagem do chimpanzé e relataram a reação de tristeza do adolescente. Em depoimento à Polícia Civil, ele negou as acusações.
Durante o inquérito, a Polícia Civil ouviu depoimentos de testemunhas, alunos e analisou imagens de câmera de monitoramento, que serviram como prova material do fato.
O próprio procedimento disciplinar instaurado pela escola registrou a versão apresentada pelo professor, que reconheceu ter apontado para o aluno, embora tenha negado qualquer intenção racista.
Professor tem responsabilidade ainda maior
Para o Ministério Público, a gravidade do caso é ampliada pelo fato de a conduta ter ocorrido dentro de um ambiente educacional e ter sido praticada por um professor, justamente uma pessoa que deveria exercer papel de orientação, proteção e formação dos estudantes. “A escola não pode ser espaço de reprodução ou naturalização do racismo. Professores e demais profissionais da educação têm responsabilidade fundamental na construção de um ambiente seguro, respeitoso e livre de discriminação, devendo atuar também na prevenção e no enfrentamento de situações de violência e preconceito”, argumentou o promotor de Justiça Ricardo Libório.
No caso analisado pelo MPAL, a situação ganha uma dimensão ainda mais grave porque, conforme apontado na denúncia, o adulto não apenas teria dirigido a ofensa racial ao adolescente, mas praticado a conduta na presença e com a participação de outros estudantes, circunstância que fundamentou também a imputação pelo crime de corrupção de menores. “A proteção integral de crianças e adolescentes exige que situações dessa natureza sejam tratadas com seriedade, sem que sejam reduzidas a brincadeiras, piadas ou conflitos entre alunos. O Estatuto da Criança e do Adolescente assegura a proteção à dignidade e à integridade de pessoas menores de idade, enquanto a legislação brasileira criminaliza condutas de discriminação e injúria racial”, explicou a promotora Dalva Tenório.
Atuação do MPAL busca responsabilização e proteção
Na denúncia, o Ministério Público destacou justamente a condição do acusado como professor e a necessidade de que sua atuação fosse compatível com a função pedagógica e com o dever de proteção de crianças e adolescentes. O MPAL chegou a requerer, durante o processo, medida cautelar para impedir que o denunciado exercesse atividades de docência ou qualquer função que implicasse contato direto com crianças e adolescentes. Como resultado da conduta ilegal, o professor foi condenado a sete anos e três meses de prisão, além do pagamento de indenização no valor de R$ 15 mil.
Veja também
Últimas notícias
Baiana de quatro anos viraliza ao juntar dinheiro para morar em Maceió
Agentes do DMTT escoltam gestante em trabalho de parto até hospital em Maceió
Arapiraca lidera indicador de acesso à Educação entre municípios de Alagoas
[Vídeo] Primeira escola bilíngue para surdos do Norte e Nordeste fortalece a Libras em AL
Como comprar visualizações do YouTube: guia completo para alavancar o canal e acelerar a monetização
Publicados os resultados finais e o provisório das provas do concurso da Fapeal
Vídeos e noticias mais lidas
Jovem de 24 anos é baleado na mão e suspeitos fogem em São Sebastião
Ajustes no texto adiam votação da MP que acaba com a chamada taxa das blusinhas
Prefeitura inscreve para a segunda Consulta Pública do Plano de Mobilidade Urbana
Confira o que abre e fecha em Alagoas no feriado desta quarta-feira (16)
