Polícia

Professor é ouvido pela polícia e nega injúria racial contra aluno em escola de Maceió

Defesa diz que docente não teve intenção de ofender e destaca que ele é negro e tem mais de 20 anos de sala de aula.

Por 7Segundos 11/03/2026 16h04 - Atualizado em 11/03/2026 16h04
Professor é ouvido pela polícia e nega injúria racial contra aluno em escola de Maceió
Caso de injúria racial em escola do Benedito Bentes está sendo investigado pela Polícia Civil - Foto: Reprodução

O professor suspeito de cometer injúria racial contra um aluno em uma escola particular localizada no bairro do Benedito Bentes, parte alta de Maceió foi ouvido pela Polícia Civil nesta quarta-feira (11). 

O depoimento ocorreu no Complexo de Delegacias Especializadas (Code), no bairro Mangabeiras, e durou cerca de duas horas. O docente foi ouvido pela delegada Rebeca Cordeiro, responsável pela investigação.

Segundo as investigações, o professor teria associado um estudante à imagem de um chimpanzé que aparecia na capa do caderno de outro aluno. A situação teria sido registrada por uma câmera de segurança instalada na sala de aula.

Durante o depoimento, o professor negou ter cometido injúria racial. De acordo com o advogado de defesa Eduardo Vasconcelos, ele afirmou que não compreendeu exatamente o que estava sendo dito no momento da situação, pois possui problemas de audição e utiliza aparelho auditivo.

Ainda segundo a defesa, o professor tem mais de 20 anos de atuação em sala de aula. “Um professor com mais de 20 anos de sala de aula, também negro e com filhos negros. Ele sabe o preço do racismo”, acrescentou o advogado.

Após a denúncia e a repercussão do caso, o professor foi demitido por justa causa pela escola. A defesa informou que pretende recorrer da decisão na Justiça do Trabalho, alegando fragilidade no procedimento interno adotado pela instituição.

A delegada Rebeca Cordeiro, no entanto, afirmou que a ausência de áudio nas imagens não invalida a investigação. Segundo ela, cerca de 20 pessoas estavam na sala e podem contribuir com depoimentos.

“Nem tudo tem prova material. A prova testemunhal é válida e sólida. Então não procede. Ele vai usar isso como forma de defesa, ele tem direito a todas as defesas que quiser, mas não é a ausência de um áudio que vai invalidar o procedimento investigatório”, disse a delegada.

A autoridade policial destacou ainda que há indícios da prática de ato racista contra o estudante.