[Vídeo] Primeira escola bilíngue para surdos do Norte e Nordeste fortalece a Libras em AL
No Dia Internacional das Línguas de Sinais, Instituto Ires destaca importância da Libras para educação, identidade e autonomia da comunidade surda
Você saberia conversar com uma pessoa surda? A pergunta ajuda a refletir sobre uma barreira que ainda faz parte da rotina de muitas pessoas: a dificuldade de comunicação entre surdos e ouvintes que não conhecem a Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Nesta quarta-feira (23), quando é celebrado o Dia Internacional das Línguas de Sinais, a importância da comunicação acessível ganha destaque. Em Maceió, o Instituto Bilíngue de Qualificação e Referência em Surdez (IRES) atua na educação da comunidade surda e é a primeira escola bilíngue para surdos do Norte e Nordeste e a terceira do Brasil.
Mais do que gestos ou mímica, a Libras é uma língua com estrutura própria e ocupa um papel fundamental na comunicação, na educação e na construção da identidade das pessoas surdas.
Segundo a professora Larissa Oliveira, ainda existe desconhecimento sobre o que representa a Libras. “A maioria das pessoas pensa que é mímica, que é gesto. A Libras é realmente uma língua, porque é uma língua que nós, surdos, usamos para nos comunicar. É uma língua visual, algo natural”, explicou.
Para ela, o aprendizado da língua também pode aproximar surdos e ouvintes e ampliar as possibilidades de interação. “Os ouvintes podem aprender Libras. Eu posso aprender o português também e a gente tem uma troca. É uma comunicação, uma consciência de todos e tem essa comunicação natural e essa interação”, afirmou.


Língua de sinais
No modelo de educação bilíngue para surdos, a Libras é utilizada como primeira língua (L1), enquanto o português é trabalhado como segunda língua (L2), principalmente na modalidade escrita.
Larissa explica que o contato com a língua de sinais desde os primeiros anos de vida é importante para o desenvolvimento da criança surda e para a construção de sua autonomia. “A criança tem a primeira língua, que é a L1, que é a Libras. Ela consegue aprender logo cedo para poder assimilar, para que consiga futuramente ser independente, igual a mim”, disse.
Ela também relembrou a própria experiência na educação bilíngue e destacou a importância de ter acesso ao conteúdo escolar por meio da língua de sinais. “Por estudar na escola bilíngue, ter aulas de todas as matérias, eu consegui aprender. A minha L1 é a Libras e a minha L2 é o português”, contou.
Além da comunicação, a Libras representa identidade e cultura para a comunidade surda. “A Libras é muito importante, é uma língua de valor também para a pessoa surda. É uma identidade, é uma cultura nossa e nós nos apropriamos dela. Nós somos independentes”, ressaltou Larissa.
Inclusão também fora da escola
A inclusão, no entanto, não precisa ficar restrita ao ambiente escolar. Para a comunidade surda, quanto mais pessoas ouvintes conhecerem Libras, maiores são as possibilidades de comunicação em diferentes situações do cotidiano.
Família, amigos e profissionais de diversas áreas também podem buscar conhecimento sobre a língua para tornar os espaços mais acessíveis.
Questionada sobre como uma pessoa ouvinte pode começar a aprender Libras, Larissa aponta os cursos como um primeiro passo. “O primeiro passo é o curso de Libras. Aqui no IRES a gente oferta esse trabalho. A gente dá cursos também: básico um, dois, intermediário, até vocês conseguirem ficar fluentes”, explicou.
Segundo ela, o aprendizado pode contribuir para uma inclusão mais efetiva da comunidade surda. “Familiares, amigos, profissionais podem vir aqui no IRES. É muito importante aprender de verdade sobre o que é a inclusão”, destacou.
IRES promove evento neste domingo
Para marcar a data e apresentar o trabalho desenvolvido pela instituição, o IRES realizará um evento neste domingo (27), a partir das 8h, em uma área de Rua Fechada, na orla de Maceió, em frente ao restaurante Canoa.
A programação será aberta ao público e pretende aproximar a comunidade ouvinte da realidade das pessoas surdas, além de apresentar as atividades desenvolvidas pelo instituto. “Vai ser um domingo muito especial. Todos se sintam convidados. Se vocês tiverem curiosidade em aprender alguma coisa, a gente pode ir lá ter essa troca”, convidou Larissa.
Assista a reportagem:
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