Justiça

Pastor diz que Albino Santos aparentou estar feliz após morte de casal em Maceió

Informação foi dada durante depoimento em mais um tribunal do júri do réu

Por Erick Balbino 22/10/2026 11h11 - Atualizado em 22/10/2026 12h12
Pastor diz que Albino Santos aparentou estar feliz após morte de casal em Maceió
Albino dos Santos é conhecido como Serial Killer de Maceió e já acumula 234 anos de reclusão por múltiplos assassinatos - Foto: Claudemir Mota/Assessoria MPE-AL

O pastor de uma igreja frequentada por Albino Santos de Lima, conhecido como Serial Killer de Maceió, afirmou durante depoimento ao Tribunal do Júri que o réu aparentou estar feliz com a morte de John Lennon Santos Ferreira, de 20 anos, e Débora Vitória Silva dos Santos, de 21. O casal foi assassinado a tiros em 18 de dezembro de 2023, no bairro do Vergel do Lago, em Maceió.

Segundo o relato da testemunha, repassado pela assessoria de imprensa do Ministério Público Estadual (MPAL), Albino voltou a frequentar a igreja cerca de 15 dias após o duplo homicídio e fez um comentário relacionando as mortes a uma suposta compra de “moto roubada”. Questionado pelo promotor se havia percebido satisfação no comportamento do acusado após o crime, o pastor reafirmou seu relato.

“Está vendo aí, foi comprar moto roubada, deu no que deu”, teria dito Albino, conforme o depoimento. A testemunha também contou que John Lennon e Débora integravam o grupo de louvor da igreja e relatou episódios anteriores envolvendo o réu, incluindo uma denúncia de que ele estaria gravando a esposa de John Lennon com um celular.

O pastor afirmou ainda que o acusado teria comparecido armado aos cultos e relatou uma situação em que John Lennon chamou sua atenção para o comportamento de Albino em relação às pernas de uma menina.

Este é o 10º julgamento consecutivo do réu. Até o momento Albino acumula uma condenação recorde que já ultrapassa a marca de 234 anos de reclusão por múltiplos assassinatos na capital, ocorridos entre 2023 e 2024.

O Ministério Público de Alagoas (MPAL), sustentaa as qualificadoras de motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. A acusação é baseada nos laudos da Polícia Científica e nos arquivos extraídos do celular de Albino, onde ele mantinha pastas organizadas com fotos, dados e o monitoramento das redes sociais de suas vítimas, o que demonstraria a premeditação dos crimes.

Já a defesa sustenta a tese de incapacidade civil, apontando que o réu não estaria em pleno juízo no momento dos crime, por sofrer de transtornos psicológicos graves e esquizofrenia.

Relembre o caso

Na noite do crime, o casal caminhava pelas ruas do Vergel do Lago quando foi surpreendido por disparos de arma de fogo. John Lennon foi atingido por cinco tiros na região da cabeça e das costas, morrendo na hora.

Débora Vitória foi baleada com um tiro no tórax/estômago. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.

À época, a Polícia Civil apontou que o alvo principal dos executores era John Lennon devido a uma desavença envolvendo a compra de uma motocicleta, e que Débora teria sido vitimada por estar ao lado dele.

No entanto, com o avanço das investigações do Núcleo de Homicídios, a perícia balística conectou a arma utilizada no crime diretamente à sequência de assassinatos planejados pelo ex-agente penitenciário.