'Serial Killer de Maceió' diz que fez cursos de tiro para realizar sonho de defender o exército de Israel
Durante depoimento no Tribunal do Júri, réu afirmou que manteve contato com a embaixada israelense e que recebeu resposta de que só cidadãos do país podem integrar o Exército
Durante o julgamento por um duplo homicídio em Maceió, Albino Santos de Lima, conhecido como Serial Killer de Maceió, afirmou que seu maior sonho era defender Israel. Ao falar sobre o assunto, o réu disse que chegou a manter contato com a embaixada israelense e que a resposta recebida teria sido positiva em relação ao seu currículo, mas que havia uma restrição para ingressar nas Forças Armadas do país: a exigência de cidadania israelense.
“Cheguei a manter contato com a embaixada de Israel e a mulher disse: ‘Gostaríamos muito de tê-lo defendendo Israel, porque já vimos seu currículo, que é muito bom, mas, infelizmente, em nosso Exército só pode lutar quem tem cidadania israelense’”, relatou Albino durante o depoimento.
Segundo o próprio réu, o desejo de defender o território israelense teria motivado a realização de diversos cursos voltados ao aperfeiçoamento em tiros.
“Queria defender a terra de Deus”, afirmou.
As declarações foram feitas durante o julgamento em que Albino responde pelo assassinato de John Lennon Santos Ferreira, de 20 anos, e Débora Vitória Silva dos Santos, de 21. O casal foi morto a tiros em 18 de dezembro de 2023, no bairro do Vergel do Lago, em Maceió.
Cursos de tiro e depoimento
Ao mencionar os cursos que teria realizado, Albino relacionou o treinamento com armas à intenção de se preparar para uma eventual atuação em defesa de Israel. O relato, no entanto, corresponde à versão apresentada pelo próprio acusado durante o interrogatório.
A declaração integra o conjunto de informações apresentadas ao Conselho de Sentença, responsável por analisar as provas e decidir sobre a responsabilidade penal do réu neste processo.
Réu responde por morte de casal
O julgamento apura as circunstâncias do assassinato de John Lennon e Débora Vitória. A investigação policial inicialmente apontou que John Lennon seria o alvo principal por causa de uma desavença relacionada à compra de uma motocicleta, enquanto Débora teria sido atingida por estar ao lado dele.
Com o avanço das investigações, exames balísticos relacionaram a arma utilizada no crime a outros homicídios atribuídos a Albino.
O Ministério Público de Alagoas sustenta as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa das vítimas. A defesa, por sua vez, apresenta questionamentos relacionados à condição mental do acusado e à sua capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos.
Albino já acumula condenações que ultrapassam 234 anos de reclusão por outros assassinatos ocorridos em Maceió entre 2023 e 2024. O julgamento pelo duplo homicídio de John Lennon e Débora constitui mais uma etapa dos processos criminais contra o réu.
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