Justiça

Sobrinho de vítima percorre mais de 4 mil km para assistir júri de serial killer em Maceió

Albino dos Santos é acusado de matar José Cícero Bernardo da Silva, de 51 anos, em 2019, na parte alta de Maceió

Por Maria Villanova 04/11/2026 12h12 - Atualizado em 04/11/2026 13h01
Sobrinho de vítima percorre mais de 4 mil km para assistir júri de serial killer em Maceió
Sobrinho de vítima viajou mais de 4 mil km e espera justiça - Foto: Reprodução / TV Gazeta de Alagoas

Albino Santos de Lima, conhecido como Serial Killer de Maceió, enfrenta seu 11º juri nesta quarta-feira (4), em Maceió, desta vez pela morte do comerciante José Cícero Bernardo da Silva, de 51 anos. O crime aconteceu em 9 de dezembro de 2019, na Chã da Jaqueira, na parte alta da capital.

O julgamento foi acompanhado de perto pelo sobrinho da vítima, Anderson Bernardo da Silva, que percorreu mais de 4 mil quilômetros de carro para estar presente no Tribunal do Júri. Ele diz que a família espera justiça.

" A dor é grande, não tem como negar. Minha mãe sofreu um AVC, devido ao que aconteceu com meu tio, e toma remédio controlado direto. Nossa família se desestruturou toda, porque ele era uma base também dos filhos, ajudava todo mundo. Era uma pessoa 100%, nunca cometeu nada. Só vivia do trabalho dele, da família. Vivia na vendinha dele, na mercearia. Foi assassinado sem motivo algum", contou, visivelmente emocionado, em entrevista concedida à TV Gazeta.

Albino chegou a assumir a autoria do crime, contudo, voltou atrás. Entretanto, a acusação, comandada pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas, aponta provas técnicas e robustas da atuação do acusado. 

Um dos elementos apontados pela investigação é a utilização da mesma arma de fogo no assassinato de José Cícero e no homicídio de Genuína Maria da Conceição, de 71 anos. A idosa foi morta a tiros enquanto levava o neto para a escola, também na Chã da Jaqueira. Pelo assassinato, Albino foi condenado a 22 anos, cinco meses e 15 dias de prisão.

Também entre as provas mencionadas está a quebra do sigilo telefônico, que teria permitido identificar a movimentação do acusado na data do crime. O Ministério Público espera que o Conselho de Sentença reconheça a responsabilidade de Albino por mais esse homicídio.

A defesa, por outro lado, argumenta que o acusado sofre de transtornos mentais e não tinha capacidade de compreender os atos praticados. A tese apresentada é a de inimputabilidade, ou seja, de que ele não poderia ser responsabilizado criminalmente em razão de sua condição mental.

Conhecido como o Serial Killer de Maceió, Albino Santos de Lima está preso desde 2024. As investigações atribuem a ele 18 homicídios consumados e seis tentativas de homicídio. Até o momento, Albino já foi condenado a mais de 294 anos de prisão.