Especialista compara perda do fóssil Luzia com destruição da Mona Lisa
Pesquisadora afirma que não há reposição da peça destruída e que fóssil era um ícone da nossa pré-história
Um incêndio destruiu, no último domingo (2), o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, zona norte do Rio de Janeiro. O local era o lar do grupo de fósseis mais antigos encontrado nas Américas, entre eles o esqueleto batizado de ‘Luzia’, com data aproximada de 10.000 a.C. O espaço é ligado à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Os fósseis foram encontrados nos anos 1970, no sítio de Lapa Vermelha, na cidade de Lagoa Santa, em Minas Gerais. A missão franco-brasileira não imaginava, mas aquele achado seria considerado como a primeira ocupação humana no Brasil.
Trabalhos científicos mais aprofundados, que se iniciaram na década de 1980, mostraram que a morfologia do crânio, isto é, a classificação de forma e tamanho, era muito diferente dos exemplares asiáticos e dos nativos indígenas atuais.
A coordenadora do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da USP (Universidade de São Paulo) e docente da instituição, Mercedes Okumura, em entrevista ao R7, disse que a destruição do fóssil pode ser estimada como uma possível perda do quadro de Mona Lisa, pintado por Leonardo da Vinci no início do século 16 e exposto no Museu do Louvre, em Paris, na França.
“Isso é como se você fosse a Berlim e destruísse o busto de Nefertiti, como se fosse no Louvre e destruísse a Mona Lisa, é o equivalente para a ciência brasileira. É um dia difícil para a ciência brasileira”, contou Okumura.
A professora, que era docente de arquivologia da UFRJ e trabalhava nas dependências do Museu Nacional até junho deste ano, destacou que as pesquisas relacionadas a Luzia colocaram o Brasil no cenário cientifico do povoamento das Américas.
“Não tem preço, não tem reposição. A Luzia se tornou um ícone da nossa pré-história”, explicou Okumura. Não tem nem o que dizer, é o fóssil mais antigo das Américas”, concluiu a docente.
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