De porrada a assassinato: relembre tumultos históricos dentro do Senado
Na sexta, o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) relatou que Renan passou por Tasso no corredor do plenário e disparou: "O responsável por isso é você, coronel, cangaceiro"
Os xingamentos de Renan Calheiros contra Tasso Jereissati e a investida de Katia Abreu contra a presença de Davi Alcolumbre na mesa executiva do Senado na sexta, 1, estão longe de ser os primeiros ou mesmo os mais pesados tumultos na Casa.
Na sexta, o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) relatou que Renan passou por Tasso no corredor do plenário e disparou: "O responsável por isso é você, coronel, cangaceiro". Em seguida, segundo Randolfe, o diálogo ficou ainda mais agressivo. Tasso, que estava sentado, rebateu: "Você vai para a cadeia". Ao que Renan emendou: "Seu merda, venha para a porrada". Já Kátia Abreu (PDT-TO), aliada de Renan, surpreendeu os colegas ao tomar uma pasta de procedimentos de votação que estava na mesa e trocar pequenos esbarrões com Alcolumbre.
'Crápula!': Senador assassinado em 1964
Em 4 de dezembro de 1963, o senador Arnon de Mello (PDC-AL), pai do atual senador Fernando Collor, atirou contra Silvestre Péricles (PTB-AL). O segundo disparo acertou o abdome do senador José Kairala (PSD-AC), um comerciante de Brasiléia, que morreria horas depois no Hospital Distrital de Brasília.
Tudo foi causado por uma acirrada rixa regional. Péricles, que andava armado, prometeu matar Arnon, que pôs um Smith Wesson .38 na cintura e marcou discurso para desafiá-lo. Péricles conversava com o senador Arthur Virgílio Filho (PTB-AM), pai do atual líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto. Arnon provocou e Péricles partiu para cima, gritando "crápula!".
Arnon não deixou o rival se aproximar: sacou o revólver, mas antes que atirasse, Péricles, mais rápido, apesar dos 67 anos, jogou-se ao chão, enquanto sacava sua arma. O senador João Agripino (UDN-PB), tio do atual líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), atracou-se com Péricles para tirar-lhe a arma. Kairala tentou ajudar, mas foi atingido pelo segundo disparo de Arnon.
'Engula essas palavras e as digira': Collor versus Simon
O ex-presidente da República e senador por Alagoas Fernando Collor reagiu de forma exaltada em agosto de 2009 ao discurso do colega Pedro Simon (PMDB-RS), quando o parlamentar gaúcho mencionou um episódio da trajetória política do alagoano.
"São palavras em relação a mim e as minhas relações políticas, são palavras que eu não aceito. E são palavras que eu quero que o senhor as engula e as digira como julgar conveniente", disse Collor, ameaçando, ofegante e irritado, em seguida, relembrar "fatos extremamente incômodos" para Simon.
"A próxima vez que tiver que pronunciar o nome de Vossa Excelência, eu gostaria de relembrar alguns fatos, alguns momentos, talvez extremamente incômodos a Vossa Excelência", disse o ex-presidente.
'Vou te pegar lá fora, vagabundo!': Randolfe versus Ataídes
Em 2017, os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Ataídes Oliveira (PSDB-TO) tiveram de ser contidos e quase partiram para as vias de fato durante a sessão para leitura do parecer da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Um recurso de Randolfe que poderia atrasar os trabalhos havia acabado de ser rejeitado por parlamentares por 13 votos a 11.
Os ânimos estavam exaltados na primeira discussão no Congresso após a crise política deflagrada pelas delações de executivos da JBS. Relator da proposta, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) se preparava para ler seu parecer quando a confusão começou. O documento, porém, foi publicado na internet durante a confusão e Ferraço o deu como lido.
A confusão começou quando Randolfe virou-se para o colega Ataídes e gritou: "Vocês estão sustentando um governo corrupto, mas nós não vamos aceitar isso." Visivelmente irritado, Ataídes partiu para o ataque. "Você é bandido e vagabundo", respondeu o tucano. Randolfe reagiu, usando os mesmos termos. "Bandido é você! Vagabundo é você! Me respeite!", bradou. "Vou te pegar lá fora, moleque, vagabundo!", devolveu Ataídes.
Deputados chegaram a subir na mesa durante a discussão. No fundo da sala, manifestantes gritavam "Fora, Temer!", "Golpistas" e "Jucá na cadeia". O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), mostrava-se impassível. "O próximo passo é queimarem pneus aqui dentro!", afirmou Jucá. "A oposição está desesperada."
Veja também
Últimas notícias
Laboratório OxeTech Penedo abre inscrições para cursos gratuitos de tecnologia
Justiça condena policiais envolvidos em homicídio e ocultação de cadáver de Davi da Silva
Programa Planta Alagoas beneficia 600 agricultores familiares de Penedo
Câmara Municipal empossa mais sete servidores aprovados no concurso público de 2024
Leonardo Dias denuncia possível greve na Saúde: “infelizmente, não me surpreende”
Jovem suspeito de tentativa de homicídio morre em confronto com a polícia em Colônia Leopoldina
Vídeos e noticias mais lidas
Publicado edital para o concurso do Detran; veja cargos e salários
Jovem morre após complicações de dengue hemorrágica em Arapiraca
Estudantes se formam na Uninassau Arapiraca e descobrem que curso não é reconhecido
Com avanço das obras, novo binário de Arapiraca já recebe sinalização e mobiliários urbanos
