Bruno Cardoso diz que doença uniu e revitalizou o Sorriso Maroto
Líder do grupo de samba comentou que seu problema cardíaco que o tirou dos palcos por seis meses serviu para a banda repensar o futuro
Quando descobriu que sofria de miocardite, em março de 2018, Bruno precisou ficar afastado do Sorriso Maroto por seis meses.
Esse período, segundo ele, foi essencial para a que a banda se tornasse ainda mais unida e saísse da zona de conforto.
Embora o grupo tenha cumprido a agenda de compromissos pré-agendados ao substituir Bruno pelo ator Thiago Martins, ele lembra que as conversas do período foram essenciais para "dar um gás" no que o quinteto faria nos meses seguintes. "Eu não fiquei em casa parado. Eu usei o tempo de recuperação para compor músicas e elaborar projetos para quando eu estivesse de volta. Posso dizer tranquilamente que a gente estava em uma zona de conforto que me incomodava. A fase era ótima. Não posso reclamar. Mas nós podíamos e devíamos arriscar mais", analisa Bruno.
O primeiro fruto dessas ideias que Bruno teve durante a fase de recuperação pode ser visto no DVD Ao Cubo, Ao Vivo, em Cores, recém-lançado. O projeto intimista tem uma proposta inovadora: foi completamente registrado por aparelhos celulares que transitavam pelo cenário nas mãos de membros da equipe e também dos fãs. "Pensei sobre como consumimos vídeos hoje em dia e muita coisa é resultado das gravações de celular. Então resolvemos criar todo um DVD assim. É ousado e trabalhoso para editar, mas o resultado é diferente de tudo que já fizemos", comenta Bruno.
O projeto também serve para colocar fim a um período sem lançamentos de inéditas pelo Sorriso Maroto. "A banda sempre foi conhecida por lançar material com músicas inéditas e apostar muito pouco em resgate de sucessos antigos. Até acredito que seja por isso que conseguimos chegar às duas décadas de carreira. Nunca ficamos parados no tempo e sentados em cima dos nossos hits", avalia.
O DVD tem onze músicas, foi feito com uma plateia de 300 convidados e marca a estreia do Sorriso na Sony Music. No repertório, dois convidados mostram que o Sorriso também queria se aproximar da nova geração de pagodeiros: Dilsinho aparece em 50 Vezes e Ferrugem, em Me Arrependi. "É preciso valorizar quem mantém o samba em alta. Ferrugem e Dilsinho fazem um belo trabalho nesse sentido", explicou.
Doença e reviravolta
Apesar de nunca cogitar ou temer que a doença que o afastou dos palcos por seis meses faria com que ele abandonasse a carreira de cantor, Bruno admite que a vida dele não será mais a mesma daqui por diante.
Isso porque o cantor ainda não está completamente curado e provavelmente nunca estará. A doença pôde ser controlada por meio de tratamentos medicamentosos, mas ele terá que mantê-los pelo resto da vida. "Não to 100%. Posso vir a ficar um dia. Ou não. Enquanto eu não souber, tenho que estar medicado e saudável, porque a miocardite é oportunista e se beneficia de imunidade baixa", relata Bruno.
Para não voltar a sofrer uma crise, o cantor conta que tem que manter uma dieta balanceada e evitar excesso de sal, gordura e situações estressantes, é um caminho para continuar bem. "Muita gente não sabe, mas a vida na estrada é totalmente contrária a isso. Não à toa, enfrento um desafio para não cair em tentação nem me cansar demais. Mas nós já fizemos um esquema para que o nosso ritmo agora seja outro", define Bruno.
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