Por que o juro do cartão de crédito está alto, se inflação vem caindo?
Taxas chegaram ao patamar de 317,2% ao ano em outubro
A taxa de juros do cartão de crédito teve alta pelo sexto mês consecutivo e chegou ao patamar de 317,2% ao ano em outubro. Este é o valor mais alto desde março de 2018, quando a taxa era de 334,9% ao ano.
Se a Selic (taxa básica de juros) vem caindo gradativamente desde o início do ano, chegando ao patamar de 5% ao ano, no dia 30 de outubro, por que as taxas de juros do cartão de crédito não seguem essa redução?
A resposta, segundo especialistas ouvidos pelo R7, é simples: não há um motivo técnico para que as taxas continuem tão elevadas e em constante alta.
“Tecnicamente nada explica a alta dos juros porque estamos num ambiente de queda da taxa básica. A economia também vem melhorando, apesar de ainda ser um aquecimento leve, mas é possível sentir uma melhora”, diz Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
Segundo Oliveira, as taxas médias de juros são de 317% ao ano, mas há empresas de cartão cobrando mais de 500% ao ano.
Oliveira diz que um dos motivos que podem gerar esse movimento é a alta da inadimplência no setor, resultado de um período de desemprego que o país enfrentou.
Outro fator é a falta de concorrência no mercado de cartões de crédito. “Se você tem o cartão de um banco, não consegue tomar crédito em outro banco.”
Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em gestão financeira da FGV (Fundação Getulio Vargas), concorda com Oliveira sobre não haver motivo para as empresas de cartão continuarem operando com taxas tão elevadas.
“Se a economia está começando a ficar aquecida, o PIB [Produto Interno Bruto] em leve aquecimento, o desemprego e a inadimplência em queda, não há um motivo aparente para as taxas continuarem altas. Além disso, a Selic está em baixa e a previsão é que continue em queda”, ressalta Teixeira.
Para o economista, só as empresas de cartão de crédito podem responder o motivo de não reduzirem as taxas de juros.
Consumidor deve evitar crédito rotativo
Teixeira orienta o consumidor a não utilizar o crédito rotativo em hipótese alguma. “Se perceber que vai precisar usar naquele mês, já negocie uma melhor opção com a operadora.”
Depois de negociar o débito, o economista aconselha o consumidor a guardar o cartão de crédito até concluir o pagamento da dívida.
“Nesse período, pague tudo à vista e faça muito bem as contas para não exceder o orçamento doméstico.”
Segundo levantamento do BC, a inadimplência no crédito rotativo vem se mantendo estável.
Em outubro de 2018, o percentual de inadimplentes chegava a 36,4%. No mesmo mês deste ano, o percentual foi de 36,8%. No ano a variação foi de apenas 0,2%.
Taxas são definidas conforme estratégia da empresa
Por e-mail, a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) enviou o seguinte posicionamento:
As taxas de juros do rotativo do cartão de crédito são definidas de acordo com a estratégia comercial de cada empresa, a partir de diversos componentes, como custo de capital, inadimplência, tributos e despesas operacionais, entre outros.
A mudança da regra do rotativo, em 2017, possibilitou uma redução da taxa média de 180 pontos percentuais até o momento, saindo de 497,5% a.a. (janeiro de 2017) para os atuais 317,2% a.a. (outubro de 2019).
Vale ressaltar que o rotativo representa apenas 0,8% do volume total de crédito destinado à pessoa física no Brasil, uma vez que o cartão é majoritariamente usado para compras sem qualquer cobrança de juros pelo emissor (74% do saldo correspondem às modalidades à vista e parcelado lojista).
Como o rotativo é um crédito emergencial, medidas que contribuem para melhorar a qualidade de dados e a eficiência do gerenciamento de risco, como o cadastro positivo, certamente permitirão uma redução de custos à medida que forem implantadas.
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