Guedes está confiante no teto de gastos e não fala em deixar governo
Apesar de rumores sobre saída, ministro não sinaliza ter perdido o otimismo
Apesar de rumores de que pode deixar o governo ou ser demitido, o ministro da Economia, Paulo Guedes, não dá sinais nesta segunda-feira (17) de que queira sair ou tenha perdido o otimismo. A interlocutores próximos ele disse nesta manhã que ele e os presidentes da República, da Câmara e do Senado estão sob o mesmo teto, uma menção ao apoio de todos ao teto de gastos, e que as reformas estruturantes do País serão retomadas.
Na última semana, a queda de braço entre as alas desenvolvimentista (que quer gastar no pós-pandemia) e fiscalista (que defende que País não pode abandonar o teto ou vai quebrar em 2021) chegou ao seu auge, com recados claros por parte de Guedes da sua insatisfação e de sua equipe com uma possível flexibilização do teto e com a lentidão das reformas, chamando de "debandada" a demissão de dois importantes secretários do Ministério da Economia (o que tocava as privatizações e o que conduzia a reforma administrativa).
Tudo parecia pacificado quando Bolsonaro, na quarta-feira (12), após a debandada na Economia e declarações duras de Guedes, chamou os ministros das duas alas (Guedes fiscalista e Rogério Marinho e Tarcísio de Freitas desenvolvimentistas), além dos presidentes da Câmara e Senado -Maia e Alcolumbre- para uma reunião de pacificação e defesa conjunta do teto de gastos.
O problema foi o presidente ter feito uma declaração na LIVE de quinta-feira (13), que ele diz ter sido mal interpretada, de que a discussão sobre a flexibilização do teto poderia sim acontecer. Aliado a isso, conforme o R7 Planalto apurou, no dia seguinte à reunião de pacificação, Bolsonaro dizia a interlocutores não estar convencido de que enviaria ao Congresso a reforma de redução do Estado (administrativa), defendida como crucial por Guedes.
A existência desses sinais trocados levou aos rumores de que Guedes poderia sair ou ser demitido. A pauta das duas reuniões que eles terão nesta segunda, no entanto, será a retomada das reformas, apesar de ainda não haver previsão do envio da administrativa por parte de Bolsonaro.
A avaliação de pessoas próximas a Guedes é que toda a movimentação do ministro na semana passada foi no sentido de enviar um recado para Rogério Marinho de que não é hora de gastar, sob o risco, como disse Guedes, de "se levar o presidente Bolsonaro a uma zona cinzenta de impeachment".
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