Conta corrente que rende mais do que a poupança não é investimento
Manutenção de R$ 2.000 em uma conta que paga 127% do CDI por dois meses resulta em um retorno 40% maior que o da caderneta
Amplamente ofertadas pelas instituições financeiras com a promessa de proporcionar uma rentabilidade acima da poupança, as contas correntes com remuneração atrelada ao CDB (Certificados de Depósito Bancário) requerem atenção especial e não podem ser tratadas como uma forma de investimento.
Em um exemplo prático, um montante de R$ 2.000 mantido em uma conta que paga 127% do CDI rende R$ 13,40 (+0,67%) após dois meses.
Na poupança, o ganho seria de R$ 9,61 (+0,48%), valor 28,3% inferior.
O planejador financeiro da Academia Fiduc, Valter Police, reconhece que “qualquer ganho é melhor do que nada”, mas alerta para o ainda baixo retorno proporcionado pela ferramenta oferecida por fintechs e bancos tradicionais.
“A pessoa não pode se iludir pensando que, como vai ganhar 100% do CDI na conta, está com a situação financeira resolvida. [...] O retorno de curto prazo é desprezível, cerca de 4% ou 5% ao ano. Não é essa diferença que vai fazer a pessoa ganhar dinheiro ao longo do tempo", explica Police.
Thiago Godoy, especialista em educação financeira da Xpeed, avalia que as contas com rendimento ligados ao CDI oferecem uma facilidade aos clientes, mas ainda estão distantes de investimentos que oferecem a mesma liquidez.
Ele explica que as instituições financeiras precisam manter ao menos 80% dessas aplicações em títulos ligados à taxa básica de juros, a Selic, como referência.
Questão emocional
Police cita ainda o que classifica como uma "questão emocional" para alertar que é permanência dos recursos na mesma conta utilizada no dia a dia pode ser uma armadilha para quem deseja poupar.
“O ideal, quando você pensa em investimento, é deixar os recursos alocados separadamente, para que você nem olhe para eles. Então, uso ideal para essas contas remuneradas é para o dinheiro do próprio mês”, orienta ele.
A sugestão dos especialistas é que o montante seja realocado, mesmo que em um outro título que ofereça a mesma rentabilidade.
“Isso vai tirar a tentação de gastar o dinheiro, porque existe a impressão de que ele está menos disponível”, indica Police.
Para Godoy, estão também disponíveis outras opções mais favoráveis que pagam até 200% do CDI para quem deixar o dinheiro parado por dois meses.
"Ela vai ter que investir? Vai, mas vai ganhar o dobro alocando um valor baixa", recomenda ele ao citar os investidores mais conservadores.
Os educadores financeiros orientam ainda que os consumidores fiquem atentos à garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), se a empresa responsável pelo investimento é sólida e em quais ativos serão alocados os recursos investidos.
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