'Não vai ser um governo gastador', diz Alckmin sobre teto de gastos
Mercado reagiu negativamente após presidente eleito criticar regra do teto de gastos
Após a reação negativa do mercado diante da possibilidade de o governo eleito furar a regra do teto de gastos, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu nesta quarta-feira (16) que o governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não será "gastador".
“O presidente Lula, se pegar os dois mandatos [à frente do Palácio do Planalto], teve a marca da responsabilidade fiscal. Não vai ser um governo gastador, mas precisa ter o mínimo para, de um lado, garantir proteção social, ainda mais nesse momento de crise socioeconômica, e, de outro lado, o funcionamento do Estado”, afirmou Alckmin.
“Não pode parar obra. Não há nada mais caro do que obra parada. E também ter o mínimo para investimento, porque vai ser importante na retomada do crescimento econômico. A questão da ancoragem [fiscal] vai ser debatida com mais calma. Não é nesse momento”, completou.
Na última semana, o mercado reagiu negativamente após Lula questionar a reforma trabalhista e criticar o teto de gastos. No dia da declaração do petista, na última quinta-feira (10), houve um salto de 4,09% do dólar. O Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, desabou mais de 4%.
PEC da Transição
A expectativa da equipe é que o texto da PEC da Transição seja apresentado ainda nesta quarta-feira (16). A matéria prevê alterações, como a retirada do Auxílio Brasil, que voltará a se chamar Bolsa Família, do teto de gastos, o que deverá abrir espaço de R$ 105 bilhões para outras despesas.
O texto servirá, ainda, para que Lula banque promessas feitas durante a campanha eleitoral, como a correção do salário mínimo acima da inflação e a recomposição de recursos para programas, como Farmácia Popular.
O vice-presidente eleito destacou que a matéria deverá ser bem recebida pelos parlamentares e que nenhum partido político se opõe a ideia. Os gastos, porém, devem causar aumento da dívida pública.
“A PEC trata do Bolsa Família, que ambos os candidatos [à Presidência da República] defenderam durante a campanha eleitoral. Não conheço nenhum partido que tenha se colocado contra. O que vai acontecer agora é o detalhamento e o encaminhamento para o Congresso Nacional. Eu acho que vai ser bem recebida”, informou.
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