Discussão entre servidores da Funai e moradores gera tensão em Palmeira dos Índios
Moradores questionaram entrada em propriedades durante atuação do órgão na Serra da Boa Vista
Uma discussão entre servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e moradores da Serra da Boa Vista gerou tensão e repercussão nesse fim de semana, em Palmeira dos Índios.
O caso aconteceu durante uma atuação do órgão na região e envolveu moradores e representantes da Funai em meio a questionamentos sobre a entrada em propriedades localizadas na área.
Segundo relatos, um homem ligado à família do vereador Lúcio Carlos Medeiros questionou se os servidores possuíam autorização para acessar imóveis sem a presença dos proprietários.
Durante a discussão, moradores afirmaram que equipes teriam entrado em áreas particulares sem consentimento prévio. “Vocês entraram no imóvel onde vocês não têm autoridade para entrar”, afirmou um dos moradores durante o desentendimento.
Em resposta, uma servidora da Funai declarou que a equipe atua dentro de território indígena reconhecido oficialmente pelo Estado brasileiro. “A gente anda aqui dentro da terra indígena. A gente anda onde a gente quiser”, disse a representante do órgão.
Ainda durante a discussão, moradores cobraram apresentação de documentos e autorização judicial para entrada nas propriedades. Já os servidores afirmaram que o trabalho realizado faz parte de ações ligadas ao processo de acompanhamento e notificações na área indígena.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) enviou nota ao 7Segundos esclarecendo que a atuação realizada na Terra Indígena Xucuru-Kariri, em Palmeira dos Índios, não se trata de ação de reintegração de posse, mas sim de um procedimento de cadastramento da população não indígena residente na área.
Segundo a Funai, os trabalhos têm caráter técnico e informativo e fazem parte do processo de regularização fundiária previsto na Constituição Federal e no Decreto 1.775/1996. Durante as visitas, equipes realizam medições dos imóveis e levantamento de informações como tempo de ocupação e número de famílias afetadas, com o objetivo de subsidiar futuras medidas indenizatórias, habitacionais e, quando necessário, de reassentamento.
A autarquia também informou que atua em cumprimento a uma decisão judicial relacionada à regularização da Terra Indígena Xucuru-Kariri e destacou que a participação dos moradores no cadastramento é importante para garantir transparência e efetividade nas futuras ações administrativas.
Leia a nota na íntegra
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) esclarece que o procedimento atualmente em curso na Terra Indígena (TI) Xucuru-Kariri, em Palmeira dos Índios (AL), refere-se ao cadastramento da população não-indígena residente na TI. O procedimento ocorre nos termos do art. 231 da Constituição Federal de 1988 e do Decreto 1.775/1996, não se confundindo com ação de reintegração de posse.
Os trabalhos realizados pela equipe da Funai têm como principal finalidade qualificar as pessoas residentes na área e recepcionar informações essenciais que subsidiarão etapas posteriores do processo de regularização fundiária, especialmente aquelas relacionadas à adoção de providências indenizatórias, habitacionais e, quando couber, de reassentamento. Trata-se de uma fase de caráter técnico e informativo, não se confundindo com procedimentos de desocupação ou desintrusão.
Neste contexto, técnicos da Funai realizam a medição dos limites dos imóveis situados no interior da Terra Indígena, assegurando que todas as pessoas incidentes na área sejam devidamente identificadas e ouvidas, com atenção às suas condições sociais, habitacionais e necessidades específicas. O levantamento busca conferir segurança técnica e transparência ao processo, permitindo que as decisões administrativas futuras sejam fundamentadas em dados qualificados. Alguns dos dados a serem coletados na atual etapa de campo são o tempo das ocupações e o número de família afetadas.
A iniciativa tem o objetivo de promover a atuação articulada entre as populações envolvidas e as instituições públicas, fortalecendo o diálogo institucional para que os direitos de cada parte sejam considerados e assegurados.
A Funai esclarece ainda que atua em estrito cumprimento à decisão judicial proferida no âmbito da Ação Civil Pública (ACP) nº 0000475-13.2012.4.05.8001, que determina a adoção de providências administrativas relacionadas à regularização fundiária da referida Terra Indígena.
A autarquia indigenista reforça a importância da colaboração da população local, destacando que a participação no cadastramento é fundamental para o adequado encaminhamento das medidas institucionais cabíveis e para a efetividade das políticas públicas que poderão ser implementadas com base nas informações coletadas.
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