PF apura ligação de Vorcaro com membros do jogo do bicho e da milícia no RJ
Segundo a Polícia Federal, grupo teria dois núcleos — um para intimidação presencial e outro para ataques digitais
Na decisão em que determinou a prisão de Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que, segundo a investigação da Polícia Federal (PF), o empresário tinha ligação com operadores do jogo do bicho e com milicianos no Rio de Janeiro.
Henrique foi preso nesta quinta-feira (14) em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, na 6ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes do grupo do Banco Master. Segundo o documento, a estrutura era usada para intimidar desafetos e atender a interesses do núcleo central da instituição financeira.
De acordo com a decisão, as conexões no RJ se concentravam na atuação de Manoel Mendes Rodrigues, apontado como empresário e operador do jogo do bicho no estado e alvo de um mandado de prisão nesta quinta-feira. Até a última atualização desta reportagem, não se sabia se a PF conseguiu prendê-lo.
Manoel também é descrito como chefe de um braço local do núcleo operacional chamado “A Turma”.
O que é "A Turma”: a decisão aponta que o núcleo operacional ligado ao grupo de Daniel Vorcaro seria responsável por intimidar pessoas, monitorar alvos e obter dados sigilosos de forma ilegal para atender aos interesses da organização investigada.
A PF aponta que o núcleo de Manoel era composto por operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais, funcionando como uma estrutura de força privada a serviço da organização. Manoel seria responsável por disponibilizar “mão de obra intimidatória” e presença física no Rio para coagir alvos.
Ainda de acordo com a decisão, a posição de Manoel no cenário criminoso local era utilizada como instrumento de pressão, conferindo “credibilidade” às ameaças feitas contra desafetos.
Ação em Angra dos Reis
Um dos episódios citados na investigação ocorreu em 4 de junho de 2024, em Angra dos Reis, na Costa Verde. Segundo a PF, integrantes da Turma foram enviados para intimidar ex-funcionários de Daniel Vorcaro.
De acordo com relatos reunidos na investigação, sete homens abordaram o comandante de uma embarcação ligada ao empresário na Marina Bracuhy e fizeram ameaças. Um dos integrantes do grupo teria se identificado como Manoel e afirmado que “mexia com jogo do bicho”.
Na sequência, o grupo foi até um hotel da região para intimidar um ex-chefe de cozinha. Testemunhas também relataram abordagens semelhantes a outros funcionários ligados ao empresário.
Segundo a PF, a ação foi precedida por levantamento de informações, monitoramento e organização logística para pressionar os alvos. A investigação aponta que o objetivo era causar medo e forçar os envolvidos a agir conforme os interesses do grupo.
O que dizem os alvos
Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou:
“Constata-se que decisão se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele.
O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar a estamos a dizer ainda hoje.”
O g1 ainda não conseguiu contato com os demais investigados.
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