Acusado de matar Ana Clara nega crime e entra em contradição durante julgamento
Réu afirmou que dormia dentro do carro no momento do ataque, mas foi confrontado pelo juiz e pela acusação durante depoimento
Durante o depoimento ao Tribunal do Júri, Lailton Soares da Silva, apontado pelo Ministério Público como autor das facadas que mataram a adolescente, negou participação no crime e apresentou uma versão que gerou questionamentos da acusação e do juiz responsável pelo caso.
Segundo o réu, ele estava dormindo no banco traseiro do carro no momento do ataque. Lailton afirmou ainda que acordou após sentir o impacto do veículo e saiu correndo do local.
O juiz Jader de Medeiros Neto, no entanto, relembrou um depoimento anterior prestado pelo acusado na delegacia, no qual ele teria afirmado que saiu para dar voltas no carro com José Jonas da Silva Júnior e que o comparsa teria o chamado para cometer um assalto.
Durante a audiência, o magistrado questionou como o acusado teria conseguido fugir imediatamente se, segundo a própria versão, estava dormindo dentro do veículo.
O réu também alegou que teria recebido uma proposta para assumir a culpa pelo crime em troca de R$ 7 mil e do carro utilizado na ação. O juiz ressaltou, porém, que essa versão já havia sido apresentada antes mesmo da ida dos acusados ao presídio.
Em outro momento do depoimento, o promotor José Antônio Malta Marques confrontou o acusado sobre diferentes versões apresentadas ao longo da investigação. “Qual é a versão que o senhor quer que a gente acredite?”, questionou o promotor ao citar vídeos e depoimentos anteriores do réu.
A acusação também relembrou que Lailton já teria admitido interesse amoroso por Ana Clara durante a investigação. No julgamento, porém, ele negou conhecer a adolescente.
A assistente de acusação, Júlia Nunes, também questionou o acusado sobre quem estava dentro do veículo no momento do crime. Lailton confirmou que José Jonas e Edineide Pereira Santos estavam no carro e afirmou que os dois desceram do automóvel.
Mais cedo, uma irmã da ré Edineide também prestou depoimento. Durante a oitiva, a defesa questionou se a acusada já teria sido presa anteriormente, o que foi negado pela testemunha. O Ministério Público relembrou, porém, uma investigação envolvendo uma suposta tentativa de homicídio registrada meses antes da morte de Ana Clara.
O julgamento segue no Fórum de Maravilha e pode entrar pela noite. Familiares da adolescente acompanham a sessão e pedem justiça pela morte da menina, assassinada no dia 2 de janeiro de 2025 durante as festividades de emancipação política do município.
Além de Lailton, também são réus José Jonas da Silva Júnior e Edineide Pereira Santos. O Ministério Público pede a condenação dos acusados por feminicídio e tentativa de homicídio contra um adolescente que sobreviveu ao ataque.
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