Política

Lula diz que vai insistir na indicação de Messias para STF

Nos últimos dias, presidente da República comentou estar disposto a tomar atitude novamente

Por R7 18/05/2026 15h03
Lula diz que vai insistir na indicação de Messias para STF
Em novembro de 2025, um mês após vaga ser aberta no STF, Lula indicou ministro Jorge Messias ao cargo - Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Mesmo depois da derrota histórica no Senado Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a aliados que vai reenviar à Casa a indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal), antes das eleições. O ministro da AGU (Advocacia-Geral da União) ainda adota cautela quanto a essa possibilidade.

Em 29 de abril último, o Senado impôs uma derrota histórica ao governo e rejeitou Messias por 42 votos a 34. Com o resultado, Lula rompeu uma aliança que tinha com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), apontado como artífice da derrota.

Nos últimos dias, porém, Lula disse a aliados que está disposto a mandar a indicação de Messias novamente ao Senado e que dará esse passo antes das eleições de outubro.

O presidente fez a sinalização mesmo sem a certeza de como seria uma segunda votação de Messias e antes até de acertar com Alcolumbre o nome que vai apresentar. Aliados de Lula ponderam, contudo, que o envio da indicação ainda dependeria de concretização e conversas com o Senado.

Aplausos

O ponto de virada, segundo integrantes do Palácio do Planalto, foi a cerimônia de posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), na última terça-feira (12).

O advogado-Geral da União foi longamente aplaudido durante a solenidade. Para Lula, o gesto representou um sinal de respeito e reconhecimento ao trabalho de Messias e um desagravo ao indicado.

Alcolumbre, que estava presente à posse, não aplaudiu Messias nem cumprimentou o presidente da República. Os dois estavam lado a lado à mesa da cerimônia, e a situação gerou um clima de mal-estar durante a posse do novo presidente do TSE.

Conversa

Messias teve uma conversa com Lula antes da posse de Nunes Marques no TSE. Essa foi a segunda reunião entre os dois desde a derrota no Senado. Aliados do chefe da AGU afirmam que Messias só aceitaria uma nova indicação com muita certeza de que seria aprovado, principalmente após amargar a primeira derrota.

Ele entrou em férias na última quarta-feira (13) e só deve voltar ao trabalho em 26 de maio. Após a derrota no Senado, o advogado-geral da União também recebeu apoio de juristas ligados a Lula, aliados do governo e líderes evangélicos.

Em conversas reservadas, eles prestaram solidariedade a Messias e disseram ter certeza de que ele foi vítima de um jogo político-eleitoral no Senado e de que não foi rejeitado por falta de reputação ou qualidade técnica para o cargo de ministro do Supremo. A vaga no STF está aberta desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025.

Depois da derrota, bolsonaristas chegaram a articular com Alcolumbre para barrar eventuais outras indicações de Lula até a eleição. A rejeição do Senado a uma indicação para o STF não acontecia desde 1894 e representou uma crise de grandes proporções para o Palácio do Planalto.

Sem atrativo

Uma segunda opção chegou a entrar na mesa, a de Messias assumir o Ministério da Justiça, mas essa hipótese está em segundo plano, por enquanto. Isso porque o atual ministro da pasta, Wellington César Lima e Silva, tem recebido críticas internas no governo em uma área sensível para Lula em ano eleitoral.

A aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, em tramitação no Congresso, levaria Lula a criar um ministério específico para esse tema e a reorganizar os cargos. Para Messias, no entanto, a pasta da Justiça não é atrativa, segundo interlocutores, pois falta pouco tempo para o término do mandato.