Produtora de peça de Harry Potter no Brasil teria atrasado pagamentos
A obra A Criança Amaldiçoada, peça do universo de Harry Potter, estava em estágios iniciais de produção quando foi cancelada
A versão brasileira da peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada foi cancelada após problemas com a produtora brasileira VME. O empresário dono da VME, Vinícius Munhoz, foi acusado de atrasar os pagamentos de quatro pessoas que trabalharam na pré-produção e nas audições do espetáculo.
O que aconteceu?
A peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada foi lançada em 2016 no Reino Unido.
A produção chegaria ao Brasil ainda em 2025, com estreia em São Paulo, e ficaria em cartaz até 2027.
No anuncio de início da produção, foram abertas as audições para a obra. Atores como Hugo Bonemer e Adriana Lessa estavam escalados para a produção, como Harry e Hermione, respectivamente.
O anúncio de cancelamento foi feito por Shannon Kingett, diretora da Sonia Friedman Prodcutions, que detém os direitos do espetáculo, à coluna Painel S.A da Folha.
“Sempre tivemos os nossos fãs brasileiros em alta conta. No entanto, desafios significativos além do nosso controle nos impediram de lançar a produção no nível de qualidade que esperamos“, disse Shannon na ocasião.
De acordo com a Folha de S. Paulo, o atraso nos pagamentos de três pessoas envolvidas com a produção foram registradas no Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated). Dois deles já teriam sido quitados e p quarto reclamante cobrou o pagamento na Justiça e recebeu parte do acordo firmado com a VME de forma extrajudicial.
O Sated indicou ainda que a produtora não firmou contratos trabalhistas com os funcionários e que os convites de trabalho foram feitos de maneira informal. Em um dos casos, a empresa não teria cumprido os pagamentos e os realizou, com atraso, após interferência do próprio Sated.
O sindicato apontou também má-condução no aviso de que a peça tinha sido cancelada para os atores envolvidos. Foram semanas sem informações sobre a produção até que eles receberam um e-mail, no último dia 25, no qual a produtora confirmou o cancelamento do espetáculo.
“Os atores podem ter reservado suas agendas na expectativa pela peça e perdido trabalhos que surgiram nesse meio-tempo. Muitos vieram de outros estados do país e tiveram de pagar não só a viagem, mas também hospedagem”, disse Rita Teles, presidente do Sated.
No início das audições para a peça, o Sated chegou a acompanhar uma diária da produção a convite do dono da VME. Os representantes do sindicato atestaram que tudo corria nos conformes, mas não souberam, na ocasião, que tinham sido feitos contratos informais de trabalho.
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