Paleontólogos apresentam mais antiga espécie de réptil descrita no Rio
Paleontólogos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) apresentaram hoje (15) a descoberta de uma nova espécie de crocodilomorfo, a partir de um fóssil encontrado há 70 anos no município de Itaboraí, na região metropolitana. Batizado de Sahitisuchus fluminensis - crocodilo guerreiro do Rio de Janeiro - o parente distante dos jacarés e crocodilos é o mais antigo réptil descrito no estado.
A espécie era exclusivamente terrestre, podia passar dos dois metros de comprimento e ter 1,2 metro de altura, já que não rastejava como os crocodilomorfos atuais. O animal tinha uma postura mais parecida com a de um javali, com pernas mais fechadas e eretas. Maior predador da região em seu tempo, ele se alimentava principalmente de pequenos mamíferos, como os abundantes marsupiais pelos quais o depósito de calcário de São José, em Itaboraí, é reconhecido mundialmente.
Apesar de ter sobrevivido à grande extinção dos dinossauros, há cerca de 65 milhões de anos, o crocodilo guerreiro e seu grupo de sebecossúquios, no Rio, foi extinto milhões de anos depois, sem deixar sucessores. Ainda não se sabe a causa da extinção, mas o paleontólogo André Pinheiro aponta duas hipóteses: a primeira é que ele não resistiu às mudanças climáticas na época. Outra possibilidade é a competição com mamíferos carnívoros que chegaram da América do Norte, no período Mioceno, há até 23 milhões de anos.
Espécies parecidas com o Sahitisuchus fluminensis já foram encontradas, principalmente na Argentina, mas detalhes anatômicos como a ausência de uma fenestra mandibular externa justificam a classificação da descoberta como uma espécie nova. A descoberta revela uma característica única da Bacia São José, em Itaboraí: o local abrigou formas mais modernas de crocodilomorfos, como o Eocaiman itaboraiensis.
O fóssil foi descoberto na década de 40, quando o depósito de calcário ainda era explorado pela Companhia Nacional de Cimento Portland Mauá, que extraiu o mineral do local entre 1933 e 1984. Por se saber a importância paleontológica da região, os trabalhos eram acompanhados por especialistas do Departamento Nacional de Produção Mineral, que identificavam os fósseis. Por dificuldades para preparar o fóssil para os estudos, ele permaneceu guardado no Museu de Ciências da Terra até 2011, quando um financiamento de R$ 8 mil deu início à preparação, que durou um ano. Seis meses foram gastos na pesquisa e oito meses na preparação da publicação na revista científica Plos One.
"Quando você começa uma pesquisa paleontológica, precisa de um laboratório de preparação, preparadores e curadores de fósseis, bibliografia adequada para isso, e precisa de gente. Tem que formar tudo isso. E, como no Brasil tudo é novo, você tem muitas vezes que começar do zero", disse o pesquisador Diógenes de Almeida Campos, que coordenou o trabalho ao lado de Alexander Kellner, paleontólogo do Museu Nacional.
Últimas notícias
Prefeitura anuncia entrega de alvarás e crachás para ambulantes do São João Massayó
Arraiá da Assistência reúne mais de 500 pessoas e destaca serviços desenvolvidos em São Sebastião
Cabo Bebeto defende penas mais rígidas para agressores de mulheres e critica impunidade
Três Copas depois: Vídeo de mãe com os filhos emociona torcedores brasileiros
Investigação descarta premeditação, mas indicia policial por assassinato de colegas em AL
Virginia tromba com Anna Wintour em Nova York e registra encontro
Vídeos e noticias mais lidas
Profissionais de saúde são contratados para substituir doentes por covid-19
Prefeitura anuncia inauguração da avenida Senador Benedito de Lira com Raí Saia Rodada
Após demissão de Moro, Bolsonaro fará declaração às 17h
Fernando Barbosa, fundador do tradicional Bar do Caldinho, morre aos 76 anos em Arapiraca
