Alagoas

"Cantar é minha arte e não vou parar por medo", afirma Elaine Kundera

Por Redação 23/06/2015 13h01
'Cantar é minha arte e não vou parar por medo', afirma Elaine Kundera
- Foto: reprodução


Após formalizar a denúncia contra a sargento Lea Assis, no Ministério Público Estadual na tarde desta segunda-feira (22), a cantora Elaine Kundera, ainda muito abalada, afirmou que não vai parar de cantar.

Elaine Kundera disse que em quase três décadas atuando como cantora em Alagoas e vários estados do Brasil, nunca tinha sofrido algo parecido como o atentado que sofreu no último dia 19 de junho. Quando a sargento da Polícia Militar de Alagoas, Lea Soares Assis invadiu o bar “Vou Ali”, localizado no bairro de Mangabeiras, em Maceió, e apontou uma arma para a cabeça da cantora que estava no palco.

“Eu ainda estou muito abalada e com medo, principalmente por que o atentado que sofri partir de uma militar, que deveria proteger a sociedade dos criminosos não atentar contra a vida de quem estava trabalhando” desabafou a cantora.

A artista que é natural de Mogi das Cruzes, mas desde os dez anos mora em Alagoas, e grande parte da sua vida profissional foi em Arapiraca, relatou que o bar onde aconteceu o episódio foi inaugurado no dia 12 de junho, e no dia da inauguração o esposo da sargento que mora em um prédio ao lado do bar , invadiu o estabelecimento e , segundos testemunhas teria afirmado que já tinha fechado uma pizzaria e iria fechar o bar também Ainda segundo relatos de clientes do bar, o coronel Francisco Assis, teria dito que não adiantava procurar a polícia, porque ele era a polícia.

Por causa desse episódio, no dia 13 de junho, o movimento de clientes foi muito abaixo do esperado, devido as agressões verbais proferidas pelo coronel. E no dia em que Elaine Kundera se apresentava, a esposa do coronel, cometeu esse atentado.
Elaine Kundera afirmou que o bar está fechado desde o dia do episódio, mas se a proprietária decidir reabrir, ela vai voltar a subir no palco, mesmo ainda com traumatizada com tudo que aconteceu.

“Eu sei que vai ser difícil mas não posso deixar de exercer minha arte em função de pessoas preconceituosas e violentas” afirmou.

Ministério Público

O promotor Flávio Costa, da 61ª Promotoria de Justiça da capital, afirmou em entrevista à imprensa, que as denúncias apontam para caso de homofobia, no entanto, irá ouvir testemunhas sobre o episódio, que ele está tratando inicialmente como violência.

“Se ficar configurado que houve tráfico de influência, pedirei abertura de inquérito criminal, na corregedoria da Polícia militar e apuração rigorosa do Conselho Estadual de Segurança Pública”, disse o promotor, acrescentando que o Ministério Público não fará vista grossa para o caso.

 Polícia Militar 

Desde o flagrante de atentando no dia 19 de junho a  sargento Lea Assis, continua recolhida no Quartel da Polícia Militar. Foi aberto um inquérito administrativo para apurar o desvio de conduta de transgressão disciplinar.