Dono da Telexfree diz não poder deixar o Brasil, pois seria preso nos EUA
O brasileiro Carlos Wanzeler, co-fundador da Telexfree, disse que vem negociando com autoridades norte-americanas nos últimos meses, mas que "atualmente não pode deixar o Brasil" porque seria preso se retornasse aos Estados Unidos. "Eles disseram que eu seria colocado na prisão. Portanto, seria impossível me defender."
As afirmações foram feitas em e-mail enviado ao jornal "The Boston Globe", segundo a publicação norte-americana. É a primeira vez que ele se pronuncia publicamente em mais de um ano.
O brasileiro é considerado foragido pela Justiça dos EUA, onde é acusado de comandar uma pirâmide financeira que movimentou US$ 1 bilhão. Estando no Brasil, ele pode se beneficiar pelo código penal do país, que prevê o impedimento da extradição de brasileiros para o exterior.
A Telexfree vende planos de minutos de telefonia pela internet (VoIP). No Brasil, é investigada por suspeita de pirâmide financeira e está com as atividades suspensas há dois anos. Nos EUA, foi formalmente acusada.
A Ympactus, que representa a Telexfree no Brasil, nega a acusação e afirma que trabalha com "marketing multinível".
Wanzeler está no Espírito Santo
A Telexfree contratou no Brasil o advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido também como Kakay, que atuou na defesa do processo do mensalão.
Em maio do ano passado, Kakay confirmou que Wanzeler estava no Espírito Santo. Disse que ele estava à disposição da Justiça e que não devia ser considerado foragido.
Foragido nos EUA
De acordo com uma investigação do Departamento de Segurança Nacional dos EUA, Wanzeler teria fugido dos Estados Unidos em abril do ano passado, de carro, até o Canadá, em companhia da filha. De Toronto, teria embarcado para São Paulo e entrado no Brasil com seu passaporte brasileiro.
O advogado de Wanzeler, no entanto, afirma que ele chegou ao país antes do mandado de prisão da Justiça dos EUA e que veio ao Brasil por um voo de Nova York. Ele não informou, porém, a data exata da chegada do brasileiro.
Katia Wanzeler, sua mulher, chegou a ser presa no aeroporto JFK, em Nova York, tentando pegar um voo para o Brasil em 14 de maio. Ela foi solta depois de nove dias detida.
O outro fundador da Telexfree, o norte-americano James Merrill, foi preso em Massachusetts (sede da Telexfree nos EUA) e encontra-se em prisão domiciliar, acusado de comandar o esquema ao lado do brasileiro.
'Atolados na lama'
O advogado de Wanzeler em Boston, Paul Kelly, disse ao "The Boston Globe" que seria "quase impossível" seu cliente pagar uma fiança de US$ 1 milhão já que seus bens foram bloqueados. Ainda segundo o jornal, Wanzeler gostaria de voltar sozinho aos EUA, mas o governo quer enviar policiais ao Brasil para acompanhá-lo.
De acordo com o advogado, o passaporte de Wanzeler foi confiscado pelas autoridades brasileiras que investigam a Telexfree. "Estamos meio que atolados na lama até que os brasileiros façam algo", disse ele, segundo o jornal.
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