Arapiraca realiza caminhada para celebrar o Dia Nacional do Surdo
Para pessoas com perfeita audição, ir a uma consulta médica ou participar de uma audiência judicial nem sempre é uma coisa simples. O que dizer então se a pessoa é surda, incapaz de ouvir perguntas e orientações do médico ou as requisições do juiz?
E o que dizer de um surdo que chega em uma loja e fica 10, 20 minutos esperando um vendedor para atender?
Esses são exemplos de dificuldades que os surdos precisam enfrentar ao longo da vida, segundo os participantes da caminhada realizada na manhã deste sábado (26), pelas principais ruas do centro de Arapiraca, para comemorar o Dia Nacional do Surdo.
Organizado pela Associação dos Surdos do Agreste de Alagoas (Asagal), a caminhada teve como ponto de concentração a Tenda da Praça Luiz Pereira Lima, onde foram realizadas brincadeiras e palestras com professores libras.
Para o presidente da Asagal, Jorge Fernandes, os surdos não querem a piedade de ninguém, o que eles desejam e exigem é o respeito como pessoas normais e que podem muito bem contribuir com o desenvolvimento econômico do município, estado e o Brasil.
Participou também do evento, o presidente do Centro Especializado em Reabilitação do Agreste (Cera), Adriano Targino, que enalteceu a iniciativa da Asagal em realizar a primeira caminhada dos surdos no Agreste de Alagoas.
Segundo a professora em libras, Rosilda Santos, é preciso que a sociedade veja o surdo, como parte fundamental no contexto social e econômico, dando a ele, todos os seus direitos.
Durante todo o trajeto pelas principais ruas do centro de Arapiraca, os professores de libra pediam aos comerciantes, que contratem pessoas que saibam lidar com os surdos através dos sinais.
“Além de contribuir com a inclusão social, o comerciante também vai deixar de perder dinheiro na hora da venda de um produto para um surdo, porque em sua loja, não há ninguém capaz de atender a esse determinado cliente”, diziam os professores e profissionais de libras.
Também na luta em defesa dos portadores de necessidades especiais, como os surdos, o senador Romário, que preside a Comissão de Educação, Cultura e Esportes (CE), realizou no último dia 23, no Senado, uma audiência pública para tratar da questão.
O senador Romário, assinalou que a sociedade demorou a acordar para a questão da inclusão das pessoas com deficiência.
“No caso dos surdos, a incompreensão em relação à linguagem de sinais, com tentativas de trazer forçosamente os surdos para o mundo da comunicação oral, já que a expressão em sinais era vista “como um erro ou deficiência a ser corrigida”, disse ele.
Segundo censo realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 9,7 milhões de brasileiros têm deficiência auditiva (DA), o que representa 5,1% da população brasileira.
Deste total, cerca de 2 milhões têm deficiência auditiva severa (1,7 milhões têm grande dificuldade para ouvir e 344,2 mil são surdos), e 7,5 milhões apresentam alguma dificuldade auditiva.
Em Arapiraca, o evento foi encerrado com a escolha da mais linda garota e garoto surdos.
Por meio dos sinais, os próprios surdos escolheram os vencedores, que ficou com a garota simpatia na categoria criança, Wiliane e na categoria adolescente, a vencedora foi a Talita.
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