Começa temporada de desova das tartarugas marinhas no litoral alagoano
Com a chegada do período de desova das tartarugas marinhas, o Instituto do Meio Ambiente (IMA), por meio das equipes da Gestão de Fauna e do Gerenciamento Costeiro, e o Instituto Biota estiveram reunidos, nesta quinta (08), para definir os procedimentos e a atuação conjunta de colaboração com a reprodução das espécies na costa alagoana, que são ameaçadas de extinção.
A temporada de desova das tartarugas teve início no último mês de setembro e segue até março do ano que vem. A orientação dos institutos é que as pessoas que presenciem tartarugas procurando a costa para realizar desova entrem em contato com o Biota ou com o IMA.
Os ninhos podem ser ameaçados pelo risco de erosão, vandalismo ou roubo por pessoas, e encharcamento pela água do mar. Por isso, existe a eventual necessidade de translocação. Essa mudança de local será realizada pelo Biota, com apoio do IMA, ou da forma que for possível, considerando a hora, dia e possibilidades do momento.
Isso porque “o ideal é que essa operação seja realizada até seis horas após a desova. Claro que se leva em consideração o risco para o ninho, se tiver passado mais tempo, mas, se for possível salvar alguns ovos, o trabalho deve ser feito”, comentou o representante do Biota, Bruno Stefanis.
O grupo discutiu, ainda, os procedimentos para casos de animais que eventualmente aparecem nas praias do estado. No caso das tartarugas que são encontradas mortas, elas podem ser enterradas, pode ser acionado o serviço de limpeza urbana do município ou podem ser encaminhadas para análise.
Em relação aos animais encontrados vivos, o resgate deve ser feito prioritariamente pelo Batalhão de Polícia Ambiental. Como o Biota não possui ainda uma sede com estrutura para receber as tartarugas, o recebimento é provisório e o acompanhamento realizado pela equipe do IMA.
O animal deverá ser encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), onde a equipe do IMA montou uma estrutura básica para atuar em conjunto com o órgão federal, uma vez que não possui estrutura própria para o manejo de fauna. Na sequência, a tartaruga poderá ser enviada para o projeto Tamar de Sergipe.
“O IMA pode fazer os primeiros socorros e o setor de Gestão de Fauna montou uma programação de plantão para que, principalmente nos finais de semana, tenha um especialista para atender as demandas”, disse o consultor ambiental do IMA, Epitácio Correia.
Segundo informações disponibilizadas pelo projeto Tamar, existem cinco espécies de tartarugas marinhas comumente encontradas no Brasil e todas estão ameaçadas de extinção.
Quatro delas costumam desovar no litoral: a cabeçuda, a de pente, oliva e a de couro. A tartaruga verde geralmente desova nas ilhas oceânicas, a exemplo de Fernando de Noronha (PE).
Ainda de acordo com as informações, de cada mil filhotes nascidos, apenas um ou dois geralmente atingem a maturidade. Os animais enfrentam ameaças naturais e decorrentes da ação do homem, como a pesca incidental ou predatória, a iluminação artificial, o trânsito de veículos nas praias onde acontecem desovas e a poluição.
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