Famílias de Maceió reduzem consumo em 5,17% no mês de abril
A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de Maceió, em abril, aponta para uma redução na intenção de consumo de 5,17%, em relação ao mês de março. O recuo foi ainda maior na média brasileira, 5,54%. Quando comparado abril de 2016 com o mesmo período do ano passado, o ICF de Maceió apresenta uma redução 26,94%.
No Brasil, a média consegue ser maior, 28,86%. Esse resultado é explicado pela perda de empregos e a escassez do crédito das famílias. Maceió se encontra no terceiro mês consecutivo abaixo do piso de satisfação. Somente nos três primeiros meses de 2016, 21.899 alagoanos perderam o emprego. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Fecomércio de Estudos, Pesquisas e Desenvolvimento de Alagoas (IFEPD), em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O levantamento estima a demanda por produtos e serviços. Foram coletados dados socioeconômicos de 500 moradores da região sobre segurança no emprego, estimativa de crescimento da renda no período de curto prazo, intenção de consumo de bens duráveis, entre outros aspectos. A pesquisa orienta os empresários, principalmente no que concerne aos gastos futuros, em relação ao nível de estoques e a criação de novas oportunidades de trabalho.
Os valores dos indicadores quando abaixo dos 100 pontos, indicam uma menor capacidade de consumo das famílias, pois reforça a depressão nos salários, da sensação de inquietação sobre os postos de trabalho e da capacidade de adquirir bens dado o nível de inflação. Além de considerar o fato dos juros elevados que inibem o consumo das famílias.
A pesquisa mostra que a faixa de renda superior a dez salários mínimos, famílias de classe “A” e “B”, mantiveram-se, pelo segundo mês consecutivo, abaixo dos 100 pontos. Esse dado reforça que as classes mais elevadas começaram a sentir os impactos da crise econômica. Para a faixa de renda abaixo de dez salários mínimos, os níveis inferiores a 100 pontos apareceram desde o mês de fevereiro. “Prova que para as famílias das classes “C”, “D” e “E” os efeitos da crise são muito maiores em sua renda e emprego do que nas classes superiores”, explicou o economista da Fecomércio, Felippe Rocha.
Entre os meses de março e abril, 7,2% dos entrevistados se autodenominaram desempregados. De fevereiro a abril, já há um aumento de 17,91% dos consumidores que estão nessa situação. A insegurança e o desemprego vêm aumentando, o que demonstra a incerteza dos consumidores em fazer dívidas de longo prazo.
Outros fatores como a percepção de que a renda compra menos do que em períodos anteriores vem aumentando. Os consumidores que acreditam na melhoria da renda e conseguem adquirir mais produtos vem diminuindo de forma tímida. Na variação mensal, houve uma redução de 5,32%. Para aqueles que vêm percebendo a piora, ocorreu um aumento de 16,17%.
“Com essa percepção da população de que o poder de compra é cada vez menor, o volume de vendas dos empresários também será menor, podendo apenas compensar com a receita, fruto do aumento de preços” observou Felippe.
Considerando os dados da tabela sobre o consumo presente dos consumidores da capital, houve um aumento de 10% para aqueles que estão comprando mais do que o ano passado (de 20%, em março, para 22%, em abril).
E uma leve retração de 0,7% daqueles que indicaram estar comprando menos do que o mesmo período do ano anterior. Em longo prazo, as perspectivas de consumo são todas declinantes. Quem pretende comprar mais do que no ano passado retraiu-se em 13,97%. Aumentou para 11,31% os entrevistados que perceberam que irão comprar menos do que o ano passado. O mesmo pode ser observado para o consumo de bens duráveis.
Felippe analisou que mesmo os consumidores da capital apresentaram um leve aumento do consumo no curto prazo em decorrência do Dia das Mães que já reflete um crescimento do consumo. Os levantamentos do ICF foram realizados nos 10 últimos dias de março.
A pesquisa completa está disponível no endereço www.fecomercio-al.com.br
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