Bases comunitárias da PM perdem função social em Maceió; moradores reclamam
Reforço policial deixou de existir em locais de risco; projeto visava minimizar criminalidade
Os maceioenses que viam as bases comunitárias da Polícia Militar como uma alternativa para coibir a violência e aumentar a segurança nos bairros da capital estão decepcionados e já não podem mais contar com o serviço. Implantados em 2009, os espaços perderam a função social. Moradores de regiões mais críticas reclamam.
As bases já tiveram um papel decisivo no combate à violência, principalmente em regiões mais violentas. Mas, atualmente, a maioria dos apoios serve apenas como estruturas de suporte e dão lugar a um completo abandono. O foco do policiamento comunitário é a prevenção. Por algum tempo, o projeto conseguiu minimizar a possibilidade de novos crimes. Bairros como Benedito Bentes, Tabuleiro do Martins e Vergel do Lago, que costumavam expressar números alarmantes de criminalidade, passaram a registrar reduções significativas no número de homicídios, por exemplo.
Entretanto, devido ao abandono e descaso, há muito tempo elas deixaram de exercer a atividade-fim. A primeira base comunitária foi criada no conjunto Selma Bandeira, parte alta de Maceió, por meio de um projeto piloto que pretendia se tornar referência nacional. Moradores se queixam, no entanto, e denunciam que o trabalho deixou de acontecer. Segundo eles, as bases servem apenas como apoio para os militares.
“Acontece muitos crimes, arrastões, assaltos nos ônibus. E a polícia alega que não tem viatura e policiais (sic)”, explicou Cícero Demésio, líder comunitário do Benedito Bentes.
O advogado especialista em Direitos Humanos, Pedro Montenegro, acompanhou as ações do programa “Brasil Mais Seguro”, responsável pela implantação do projeto em Alagoas. De acordo com ele, as bases comunitárias já não possuem todos os requisitos praticados e exigidos no manual do Ministério da Justiça.
“Uma base, isoladamente, não é nada. É apenas uma concepção. Eu vejo com tristeza esse projeto, que deu resultado no mundo inteiro, no Brasil, e, inclusive, em Alagoas, com a base comunitária do Selma Bandeira, que chegou a passar um ano sem homicídios. Esse processo foi lentamente perdendo a força, foi sendo desvirtuado”, expôs.
Para ele, a polícia do Brasil prefere a repressão por ser algo cultural. “Essa resposta, em primeiro momento, pode surtir um efeito, mas, em longo prazo, ele não se sustenta, porque as raízes da criminalidade permanecem intocável”.
A PM reconhece que existem diferenças entre prevenção e repressão e justifica o abandono das bases comunitárias por falta de incentivo. “A gente tá preocupado com a violência, então a gente deixa um pouco de lado a filosofia e começa trabalhando a outra parte, que é a violência. Mas a gente não parou de fazer o nosso trabalho (sic)”, justificou o major Cícero Silva, chefe da polícia comunitária.
Confira, abaixo, a reportagem completa da TV Ponta Verde - afiliada ao SBT:
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