Manifestantes protestam em estação de metrô pela morte de comerciante e contra a homofobia
Militantes LGBT e representantes de movimentos sociais realizaram um protesto em São Paulo, na tarde desta terça-feira (27), contra o que chamaram de "repressão seletiva" por parte da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô-SP). O ato foi realizado na estação Pedro II, na região central, onde o ambulante Luiz Ruas, 54, foi espancado até a morte por dois rapazes na noite de domingo (25). Após o ato no metrô, os manifestantes foram até o DHPP, na Luz, cobrar respostas da polícia sobre o crime.
Segundo as investigações, Ruas foi atacado pelos dois jovens quando tentava defender uma travesti e um homossexual contra os quais a dupla havia investido. Para os ativistas, ainda que o vendedor de doces não fosse LGBT, a razão do crime -- a agressão após ele tentar defender outras duas pessoas --teria essa motivação.
"Essas pessoas não são tão insignificantes quanto as autoridades pensam, principalmente, quando a gente percebe que isso teve uma motivação de discriminação, de preconceito, de homofobia, e isso é inaceitável. O que se espera é que se faça tudo o que for possível para coibir essas ações --e que haja segurança nesses lugares", afirmou o padre Júlio Lancelotti, da Pastoral de Rua, ativista de movimentos ligados a moradores em situação de rua.
Símbolo da Pastoral do Povo de Rua, o padre Júlio Lancelotti esteve presente no ato. Ele pediu que o nome da estação seja alterado para Luiz Carlos Ruas
"Surpreende a falta de ação do Metrô, nesse caso, diferente do que acontecia quando estudantes secundaristas entravam nas estações (em dias de protestos). É tudo muito seletivo, né? Quando é para reprimir, tem seguranças suficientes e armados com cassetetes; quando se trata de moradores de rua, aí tudo bem, é aquela repressão seletiva", criticou.
Representantes do Sindicato dos Metroviários participaram do ato --onde não se viu nenhum agente de segurança do metrô --e questionaram a falta de efetivo desses profissionais. "O Metrô tem em média 1.100 seguranças para todas as estações, mas seria necessário o dobro disso. Em fins de semana, são apenas 50 seguranças para as 64 estações", afirmou o coordenador-geral do sindicato, Raimundo Cordeiro. "Esse crime contra o ambulante, marcado pela covardia, é do tipo que, se tivesse mais seguranças nas estações, eles não se encorajariam -- da mesma forma que autores de crimes racistas e contra mulheres, por exemplo", completou.
Ativista LGBT, biólogo e educador, Luciano Moreira, 38, participou do ato e lamentou o que, para ele, tem motivação homofóbica.
"Esse caso serve para mostrar que não só a população LGBT sofre com a violência homofóbica, mas mesmo os não LGBTs acabam ficando também vulneráveis. O Índio [apelido pelo qual o ambulante era conhecido], por questão ética, foi defender uma travesti e acabou sofrendo as consequências", disse.
"A motivação desse assassinato foi, sim, homofóbica. Temos relatos de que houve xingamentos homofóbicos dos dois agressores contra a travesti, inclusive, antes mesmo de o vendedor ser agredido", declarou o jornalista e ativista LGBT William de Lucca, 31.
Em nota oficial divulgada sobre a morte de Ruas, o Metrô lamentou o ocorrido e afirmou que a equipe de segurança demorou seis minutos para chegar à Pedro II porque estava em outra estação.
"O Metrô de São Paulo lamenta a morte do comerciante Luiz Carlos Ruas e confia na atuação das autoridades policiais para que os criminosos sejam presos", diz o texto. "No momento da agressão, agentes de segurança faziam rondas nas estações vizinhas e foram acionados pelo Centro de Controle da Segurança. O deslocamento das equipes levou seis minutos, momento em que a vítima começou a receber os primeiros-socorros. Os criminosos, porém, já haviam fugido".
Os dois agressores, já identificados e com pedido de prisão decretada, estão foragidos.
Veja, abaixo, vídeo que mostra o momento da agressão ao comerciante até a morte:
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