Palhaço Biribinha se consagra na terra que o revelou para o riso
Sua estreia foi em 1958, em Angra dos Reis-RJ, em um dos primeiros circos de seu pai, na peça “Marcelinho, Pão e Vinho”. Mas, a bem da verdade, foi em Arapiraca que ele se revelou para o riso e se tornou conhecido como um verdadeiro mestre das Artes Circenses.
Não à toa, em 2010, Teófanes Antônio Leite da Silveira, o “Palhaço Biribinha”, recebeu o Registro de Patrimônio Vivo da Cultura Alagoana.
Hoje, com exatos 59 anos de estrada, este baiano radicado em Arapiraca está realizando um de seus maiores sonhos em vida – o que considera uma dádiva, um presente das forças do divino.
Até este domingo (9), o Circo de Teatro do Palhaço Biribinha estará com a lona levantada no Parque Municipal Ceci Cunha, no bairro do Centro.
“Poder trazer para cá esse tão almejado projeto me enche de bons sentimentos e, sobretudo, lembranças. Nossa cidade tem um potencial incrível nas Artes e o público merece conhecer e participar desses momentos”, diz o palhaço, logo após uma de suas apresentações.
Neste sábado (8) a partir das 20h30, ele faz mais uma performance marcante, desta vez o melodrama escrito por ele “Eu Sem Você Não Sou Ninguém”, onde o ator e diretor Teófanes Silveira contracena com seu próprio personagem Biribinha. Nas entrelinhas, há muita filosofia, metalinguagem e também humor.
Combinado
Está tudo na cabeça do mestre. Todas as peças e os esquemas do enredo para cada uma delas. “Estamos fazendo aqui o que se chama de ‘combinado’. Pouco tempo antes de entrarmos no palco, eu repasso todo o andamento de como vai ser o espetáculo e cada ator e atriz trabalha um pouco no improviso, algo que era feito bastante nos circos de teatro de antigamente”, conta Teófanes.
Essa, na verdade, era a especialidade do Circo Mágico Nelson. Colocar a teatralidade dentro do picadeiro. Em 1972, quando a lona foi erguida em Arapiraca para ficar, a modalidade ‘circo de teatro’ estava em alta em todo o Brasil.
Naqueles tempos, muito empolgados, os moradores da cidade saíam de suas casas para assistir àquelas montagens repletas de comédia.
“Um palhaço, acima de tudo, é um denunciador. Às vezes, o que faz alguém dar gargalhadas, na verdade, é o que queremos apontar”, comenta. “Trouxe esse formato para Arapiraca inspirado no Circo de Teatro do Palhaço Tubinho, que tinha 124 espetáculos diferentes. Estou com essa mesma perspectiva aqui: não repito nenhuma peça – apenas fiz isso com uma, por que na nossa estreia, o circo lotou e muita gente ficou do lado de fora –, trazendo de volta alguns temas que eram sucesso no circo de meu pai e contextualizando-os à nossa realidade atual”.
Agora, Teófanes está cogitando ir com este projeto para os demais bairros do município arapiraquense. “Tivemos diversos parceiros conosco, como a própria Prefeitura nos dando apoio cultural. O que queremos é levar o circo para o povo, essa arte milenar do fazer rir”, ressalta ele, encantado com a quantidade de famílias que está indo assisti-lo.
Há também diversos espetáculos voltados para as crianças, com as escolas locais fazendo pacotes para levar seus alunos e alunas. Assim, o Palhaço Biribinha sempre muda sua linguagem estética, cenário e condução do enredo.
“A gente claramente nota que o circo tem perdido a força que tinha. Então, nosso trabalho aqui é de resgate, é de reformulação, ‘reformação’ de plateia. Afinal, todo mundo gosta de rir”, conclui o mestre das Artes Circenses e Patrimônio Vivo da nossa Cultura.
Ele conta com diversos atores da terra nessa empreitada, sua esposa atriz e palhaça Seliana Silva e ainda familiares atuando – os filhos Nelsinho Silveira, Júnior Silveira e Helga Silveira Guedes fazem bonito. A filha mais nova, Maria Luíza, de apenas 10 meses de idade, assiste e ouve a tudo dos bastidores.
Quem sabe a pequena ainda veja o premiado pai voando em seus 70, 80 anos de estrada. Mas sempre com os pés no chão. Nas raízes circenses e nordestinas
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