Após três anos, Canarraiá volta aos salões para balançar o São João de Arapiraca
Depois de três anos sem abrilhantar nos palhoções do Nordeste brasileiro, a quadrilha Canarraiá volta aos salões este ano com mais de 120 integrantes, dentre crianças, adolescentes e adultos de diferentes bairros de Arapiraca. Com oito títulos na bagagem, a organização promete trazer o que a quadrilha sabe de melhor: diversão e cultura à comunidade arapiraquense.
A Canarraiá, que já é tradição em Alagoas, tem muita história para contar desde 1985, quando foi fundada no bairro da Canafístula ( onde originou o nome da quadrilha) em seu estilo mais original: o matuto. Somente em 2000, a equipe passou ao formato estilizado. “A gente dançava a quadrilha matuta e assistia as estilizadas na televisão. Víamos as de Maceió e tínhamos o sonho de dançar com aquelas roupas coloridas, ricas e padronizadas”, expõe um dos coordenadores do grupo de dança, Wellington de Magalhães Silva, 35 anos.

Dos televisores, o sonho tornou-se realidade nos campos juninos, não somente de Arapiraca, mas de todo o estado e principais centros do Nordeste, como Caruaru, em Pernambuco, e no Ceará. De 1999, quando se apresentaram em uma quadrilha padronizada na paróquia São José, no bairro do Alto do Cruzeiro, em Arapiraca, eles já começavam a dar os primeiros passos de uma história de muito São João, dificuldades e ações sociais.
Comunidades carentes
Para Wellington de Magalhães a quadrilha não é apenas uma dança de espetáculo para entreter o público, mas também uma arte de cunho social. “A quadrilha já tirou muitos jovens de vícios, como drogas, e os manteve em uma atividade saudável”, afirma o coordenador.
Por falta de patrocínio, o grupo ficou três anos sem se apresentar. Este ano, com custeio dos próprios integrantes e ajuda de amigos locais, eles retornam com programação já marcada para a primeira quinzena de junho.
Wellington de Magalhães explica que a dificuldade em se manter é grande porque os participantes da quadrilha são de comunidades carentes de Arapiraca. Sendo 75% deles do bairro Canafístula e o restante de outros bairros.

“Cada participante costura a sua roupa e cada um vai ajudando outro”, diz o coordenador, que acrescenta: “Ela [quadrilha] nos ensinou muita coisa, a exemplo de costurar, fazer artesanato, a nos expressar em público, a fazer teatro e nos relacionar sem muitos conflitos com o próximo”.
A maneira encontrada para se preparar para as apresentações foram as divulgações nas redes sociais, locução, eventos e promoções nas comunidades.
Conquistas
Em meio às dificuldades e com muita criatividade, a Canarraiá já tem uma jornada cheia de conquistas. O ‘currículo’ já conta com cinco títulos no concurso de quadrilhas de Arapiraca, o 2º lugar no concurso alagoano e no tradicional concurso da Gazeta, e 2º, 3º e 4º lugar em concursos na cidade de Caruaru, em Pernambuco. A equipe também representou Alagoas no maior concurso de quadrilhas juninas do Brasil, que acontece em Iguatu, no interior do Ceará.
Apresentação na final do Arraiá do Sesc, em 2012.
Canarraiá Kids
Como prova de que a Canarraiá ultrapassa gerações, foi criada a Canarraiá Kids, que como o nome já diz, tem crianças como dançarinas da quadrilha. Wellington de Margalhães explica que a criação da quadrilha para os pequenos começou no estilo matuto, com a dança da fita.
“Ano passado, as crianças pediram aos pais, que se comprometeram a nos ajudar. Com isso, realizamos o sonho delas. Este será o segundo ano da quadrilha Canarraia kids estilizada”, conta.
Canarraiá: uma dança para a comunidade
A tradição não se enfraqueceu. É o que diz o coordenador ao afirmar que o público aumenta a cada ano. Caravanas com ônibus e van chegam a viajar para outras cidades e até mesmo estados para acompanhar a quadrilha.

“A cada ano a praça se enche mais de pessoas para assistir. O público é imenso e emociona. A gente sente e se arrepia com os aplausos, ao ouvir dos nossos familiares que eles têm orgulho de nos assistir na Canarraia e ao ouvir das crianças que o sonho delas é crescer e dançar nela”, diz o coordenador.
É com muita expectativa que a quadrilha ensaia nas sextas, nos sábados e nos domingos e a organização se prepara todos os dias, até às madrugadas, com costuras e produções de adereços.
Depois dos três anos parados, eles aguardam, assim como o público, o retorno da Canarraiá. “A expectativa está a mil porque nesses três anos as pessoas nos pediam para voltarmos. Onde chegávamos, no ônibus, no trabalho, no lazer, as pessoas nos falavam que o São João perdeu as cores sem a Canarraiá. As pessoas daqui da Canafistula e muitas de Arapiraca têm a Canarraiá como um patrimônio vivo, gostam, amam, defendem, torcem”, finaliza.
Se liga na programação:
13/05 Seresta para adquirir recursos para a quadrilha
04/ 06 lançamento da quadrilha na Canafistula
10/06 Concurso do SESC Arapiraca
12/ 06 Praça da Canafistula
14/06 Condominio Center Park
23/06 Praça da Canafistula
Equipe organizadora da quadrilha: Wellington, Damião, Anderson, Priscila, José Wilson, Renata, Elane, Cicero, Jaqueline, Anielly, Denir, Duilio, Fabio, João Pedro, Daniel, Vitor.
Veja também
Últimas notícias
Jovens em cumprimento de medidas socioeducativas são capacitados para o primeiro emprego
Condenação passa de 23 anos em ação do MPAL contra esquema em Arapiraca
Alcolumbre mantém votação de quebra de sigilo de Lulinha por CPMI do INSS
Vereadores exigem punição rigorosa à Braskem e cobram indenizações justas para famílias afetadas pela mineração
Caminhão tomba em São José da Laje e motorista é socorrido com dores no braço e na costela
JHC inaugura primeiro Gigantinho bilíngue da história de Maceió
Vídeos e noticias mais lidas
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Secretário da Fazenda de Maceió cria dificuldades para pagar fornecedores
Planalto confirma 13º infectado em comitiva com Bolsonaro
Indústria brasileira do setor alimentício terá fábrica em Rio Largo
