Suicídio é um problema de saúde pública; saiba como podemos preveni-lo
A cada ano, aproximadamente 800 mil pessoas tiram a própria vida, e um número ainda maior de indivíduos tenta se matar, segundo dados levantados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2017. A depressão é a principal causa de mortes por suicídio no mundo.
No Brasil, 11 mil pessoas em média se matam por ano. É a quarta maior causa de morte de brasileiros entre 15 e 29 anos, informam dados do Ministério da Saúde, divulgados em setembro de 2017.
Em Alagoas
Os levantamentos feitos pelo Hospital Geral do Estado (Maceió) e pelo Hospital de Emergência do Agreste (Arapiraca), em 2017, trazem os números preocupantes para Alagoas.
O HGE registrou, de 2015 a julho de 2017, 665 atendimentos por tentativa de suicídio. Os casos foram provenientes de 50 municípios, sendo 66% deles originários da capital (438), seguido de Pilar (19) e Rio Largo (18). Do total de casos, 29 (4,3%) evoluíram para óbito.
Em Arapiraca e região, até setembro de 2017, ocorria o dobro da média brasileira de tentativas de suicídio. Enquanto a média nacional é de cinco tentativas por 100 mil habitantes, o levantamento mais recente mostra que a região do Agreste tem índice de 10 tentativas por grupo de 100 mil habitantes.
Preconceitos
Segundos pesquisas levantadas pela ONU, em 2017, as taxas de suicídio são elevadas em grupos vulneráveis que sofrem discriminação. Dentre os mais afetados, estão os refugiados e migrantes; indígenas; lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais (LGBTI); e pessoas privadas de liberdade.
Em 2013, a Universidade Federal de Alagoas já despertava a suspeita de que pessoas do público LGBTI eram mais suscetíveis a tirar a própria vida. De 1.600 entrevistados da pesquisa feita, 78% já tiveram a sensação de “sumir”, enquanto que 49% disse já ter desejado não viver mais. Paralelo a isso, 15% dos entrevistados revelaram ter coragem de tirar a própria vida e 10% já teve vontade ou até mesmo tentou tirar a própria vida.
Sofrimento
Em entrevista ao 7segundos, a psicóloga Clarice Acosta Duarte explica o lado psíquico da vítima:
“Uma pessoa suicida é uma pessoa que está em muito sofrimento. Esse sofrimento pode ser algo que nunca foi dividido com ninguém, mas ele também já pode ter sido compartilhado e não ter sido valorizado. A pessoa tenta o suicídio para que seja visto este sofrimento”.
“Essas pessoas já têm ações autodestrutivas, como a automutilação. Cabe às pessoas próximas estarem atentas para poderem ajudar. Às vezes, o que elas querem é simplesmente um ouvido amigo, alguém que esteja ali para acolher a pessoa como um todo, com as diferenças que ela tenha”, alerta a psicóloga.
Como ajudar
O Ministério da Saúde criou cartilhas de orientação à população sobre como é possível identificar o risco de suicídio e como devemos agir para ajudar quem se encontra nesta condição.
Dentre os principais alertas para o risco de suicídio, estão os sinais que a vítima dá em relação ao tema. Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança, isolamento exagerado e expressões de intenções suicidas devem ser notados e levados a sério (confira instruções completas).
A principal atitude, diante de qualquer sinal depressivo ou suicida, é a procura por ajuda especializada. Existe um modo muito acessível a todos: O Centro de Valorização da Vida, que pode ser acionado a qualquer momento via e-mail, Skype, chat e, principalmente, pelo número 188. O CVV atende voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo.
Para os auxílios presenciais, existem os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) espalhados por todo país. Em Alagoas, quase todas as cidades têm uma unidade do Caps (confira quais e seus endereços).
“Se você está pensando em tirar sua própria vida ou conhece alguém que esteja tendo tais pensamentos, saiba que você não está sozinho. Muitas pessoas já passaram por isso e encontraram uma forma de superar esse sofrimento”, destaca o Ministério da Saúde.
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