Sesau alerta para riscos de infecção por coqueluche
Infecção pode ocorrer em qualquer época do ano, mas, sobretudo, em períodos chuvosos
A coqueluche, também conhecida por tosse comprida, é uma doença infectocontagiosa aguda do trato respiratório, transmitida pela bactéria Bordetella pertussis. Conforme dados da Superintendência de Vigilância da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), de janeiro a abril de 2017 foram identificados três casos. No mesmo período deste ano, o número aumentou para cinco.
Devido ao aumento dos casos, é importante que os pais fiquem atentos, visto que os recém-nascidos têm as vias respiratórias muito finas, que podem ser facilmente obstruídas pelo muco produzido na infecção. Em alguns casos, podem até não conseguir respirar.
De acordo com a técnica do Programa de Doenças Imunopreveníveis da Sesau, Claudeane Nascimento, o contágio da coqueluche se dá pelo contato direto com a pessoa infectada ou por gotículas eliminadas pelo doente ao tossir, espirrar ou falar. A infecção pode ocorrer em qualquer época do ano, mas, sobretudo, em períodos chuvosos, acometendo especialmente as crianças menores de cinco anos.
O período de incubação varia entre sete e 17 dias. Todavia, os sintomas duram cerca de seis semanas e podem ser divididos em três estágios consecutivos. A fase catarral, que compreende de uma a duas semanas, com manifestações respiratórias iniciais, acompanhadas de sintomas leves, caracterizadas por febre pouco intensa, mal-estar geral, coriza e tosse seca, com um quadro semelhante à gripe. Depois disso, os acessos de tosse se agravam e, quando eles ocorrem, dificultam a respiração.
“É a fase mais infectante. Raramente, os pais conseguem identificar se a criança está com a doença nesta etapa. A frequência e a intensidade dos acessos de tosse aumentam gradualmente”, explicou.
A segunda fase, também conhecida como paroxística, que dura entre duas a seis semanas, caracteriza-se por crise com tosse súbita, rápida e curta. “A tosse torna-se mais intensa, com maior frequência à noite. A criança tem um esforço inspiratório massivo, que pode produzir o ‘guincho’ característico, que é quando a criança puxa o ar e, logo em seguida, vem aquele som bem fininho nas cordas vocais”, pontuou. Além disso, há presença de cianose, apneia e vômitos pós-tosse.
Já a fase de convalescença, conforme a técnica do Programa de Doenças Imunopreveníveis da Sesau, os paroxismos de tosse, o ‘guincho’ e os vômitos diminuem em frequência e intensidade. Esta fase persiste por duas a seis semanas e em alguns casos pode se prolongar por até três meses.
Diagnóstico
O diagnóstico é basicamente clínico. Em grande parte dos casos, exames laboratoriais podem ajudar a determinar a presença da bactéria Bordetella pertussis em amostras da nasofaringe. Claudeane Nascimento destacou, ainda, que é importante vacinar as crianças.
A medida resulta na proteção do recém-nascido nos primeiros meses de vida, até que complete o esquema vacinal contra a coqueluche no Calendário Nacional de Vacinação com a Pentavalente (difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus Influenzae tipo b e hepatite B) aos dois, quatro e seis meses, e reforço da DTP aos 15 meses e aos quatro anos.
Tratamento
Pacientes com coqueluche devem permanecer em isolamento respiratório enquanto durar o período de transmissão da doença. O tratamento é feito com antibióticos e a recuperação costuma ocorrer em até seis semanas. No entanto, principalmente em crianças, a infecção pode evoluir para quadros graves e levar à morte. Em caso de suspeita, o paciente deve procurar o Hospital Escola Hélvio Auto, no bairro Trapiche, em Maceió, que é referência no atendimento às doenças infectocontagiosas.
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