Cineasta alagoano é aplaudido com filme lançado no Festival de Cannes
Primeiro longa-metragem de ficção de Cacá Diegues desde “O maior amor do mundo” (2006), “O grande circo místico” fez sua estreia mundial no 71º Festival de Cannes na tarde deste sábado (11), com a presença de parte da equipe. Atração da mostra de títulos hors concours da seleção oficial do evento, o épico, que cobre cinco gerações de uma família de artistas de circo, mereceu apresentação de Thierry Frémaux, diretor artístico do evento, que se referiu ao brasileiro como “um grande diretor do cinema novo” de longa relação com o festival.
Cacá (Carlos José Fontes Diegues) é nascido em Maceió, e é um premiado cineasta brasileiro, sendo um dos fundadores do Cinema Novo. A projeção em Cannes foi prestigiada pelo ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão, o presidente da Ancine (Agência Nacional do Cinema) Christian de Castro, e a diretora do Festival do Rio, Ilda Santiago, entre outras personalidades do cinema brasileiro. Fez questão de homenagear a memória do colega Nelson Pereira dos Santos (1928-2018), também um pioneiro do movimento cinemanovista, morto mês passado.
"Nelson foi um parceiro de cinema e um amigo de geração", lembrou Cacá, que concorreu à Palma de Ouro em três ocasiões anteriores, com “Bye, bye, Brasil” (1980), “Quilombo” (1984), e “Um trem para as estrelas” (1987); em 2012, ele presidiu o júri do prêmio Caméra D’Or, dedicado a cineastas estreantes. "Queria agradecer principalmente à produtora de nosso filme, que esteve comigo desde a primeira versão do roteiro até o último corte: Renata Magalhães (mulher do diretor)".
“O grande circo místico” é uma adaptação dos versos do poema de Jorge de Lima (que Cacá considera “um dos maiores poetas da língua portuguesa”). A obra já havia sido adaptada pra os palcos em forma de musical na década de 1980, com montagem de Naum Alves de Souza e músicas de Chico Buarque e Edu Lobo. A versão de Cacá, coescrita com George Moura, começa na década de 1910, durante a penúltima passagem do cometa Haley, e atravessa as décadas, acompanhando um século de trajetória de um circo nascido de um presente de o filho de um aristocrata à sua amada.
O elenco inclui nomes como Mariana Ximenes, Bruna Linzmeyer, Luiza Mariani e o francês Vincent Cassel. Jesuíta Barbosa interpreta o único personagem que cruza a trama do início ao fim, o mestre de cerimônia de picadeiro Celaví, figura enigmática que trabalha para manter o espírito do circo vivo ao longo dos anos. O filme foi rodado em Portugal, país parceiro da produção, porque as leis brasileiras proíbem o uso de animais em espetáculos públicos.
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