Brasil pode ser a bola da vez dos emergentes a cair, diz guru dos mercados
Mohamed El-Erian afirma que BC tem pouca margem para errar em meio à turbulência financeira
Mohamed El-Erian, economista e guru dos mercados internacionais, alertou nesta quarta-feira (6) para o fato de que o Brasil pode ser o próximo emergente a entrar em crise financeira.
"Depois da Argentina e da Turquia, o Brasil é o próximo", questionou El-Erian em um tuíte, que veio acompanhado de um gráfico que mostra a disparada do dólar em relação ao real.
"A recente queda moeda coloca o Banco Central em uma posição complicada, e há pouca margem para erro, e suas ações estão sendo monitoradas de perto pelos mercados doméstico e externo."
El-Erian é consultor-chefe de economia da Allianz, grupo multinacional alemão de seguros e serviços financeiros. Mas foi na gestora de investimentos Pimco, da qual foi presidente-executivo, que o economista se projetou, no papel de maior administrador de fundos de mercados emergentes do mundo.
Em 2002, quando os mercados enfrentavam turbulência em razão do temor sobre a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, El-Erian foi contra a corrente e comprou títulos da dívida brasileira.
Nesta quarta, o real voltou a se depreciar em relação ao dólar, na contramão da maioria das demais moedas, que se fortaleceram. A moeda fechou cotada a R$ 3,838, maior cotação desde 2 de março de 2016, e acumula alta de 16% em relação ao real neste ano.
Entre as 31 principais divisas do mundo, o real registra a 3º maior desvalorização ante o dólar no ano. Perdeu 14%, atrás apenas das moedas da Argentina (-25,11%) e da Turquia (-16,82%).
No mês passado, a Turquia teve de elevar os juros para conter a desvalorização de sua moeda, a lira turca.
A Argentina, por sua vez, torrou bilhões de dólares de suas reservas internacionais a fim de defender o peso, sem sucesso. O banco central elevou os juros a 30% ao ano, mas o país teve de recorrer a um socorro do FMI (Fundo Monetário Internacional).
Com as turbulências nos mercados, o Banco Central do Brasil interrompeu, no mês passado, o ciclo de queda dos juros. Anunciou também uma sucessão de leilões no mercado de câmbio para tentar conter a desvalorização do real.
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