[Vídeo] Feira Grande realiza campanha contra trabalho infantil
Região tem reincidência em casos do tipo
Na manhã desta quarta (4), a Prefeitura de Feira Grande realizou caminhada no distrito de Massapê, sobre conscientização contra o trabalho infantil. O evento contou com a presença de secretários do município e apresentações culturais. A região ficou conhecida nacionalmente após resgate de crianças e adolescentes serem resgatados de Casas de Farinha em situação de trabalho escravo.
A secretária de Educação, Marinalva de Oliveira, comentou o evento: “O objetivo desta caminhada é o Dia D da campanha ‘Fora da escola não pode’. A proposta é toda criança dentro da escola; lugar de criança não é trabalhando e sim nos bancos da escola aprendendo a ler e escrever e construir um mundo melhor”. A secretária explica ainda o motivo de escolher o povoado Massapê para a caminhada: Aqui existe grande incidência de casos de crianças trabalhando, isso é óbvio. 80% da população de Feira Grande trabalha na agricultura familiar’.
Daniele Keila, secretária de Assistência Social, falou sobre a união de forças para que o evento ocorresse: “A Secretaria de Assistência Social, no mês de junho, trabalhou bem essa questão do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil. E aí pensamos em realizar essa caminhada de hoje, de forma integrada entre a Saúde, a Educação, Assistência e Conselho Tutelar, para fortalecer mais ainda a questão do trabalho infantil, porque criança tem que estar na escola. O trabalho vai continuar, não só aqui no distrito Massapê, realizando essa conscientização”.
Prefeito de Feira Grande, Flávio Rangel, informou o que está sendo feito para evitar novos casos na cidade: “Nós estamos hoje no distrito Massapê fazendo essa bela caminhada aqui de conscientização de que lugar de criança é na escola. Nós tivemos um problema aqui no distrito Massapê, no mês de maio, com relação ao fechamento das Casas de Farinha. Em parceria com o Ministério Público do Trabalho, com o IMA (Instituto do Meio Ambiente), com todas as instituições que defendem que acabe o trabalho infantil. Foi feito um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para que os proprietários de casa de farinha não fizessem mais a utilização, nem permitissem a entrada, das crianças nas suas empresas”.
Durante a fiscalização realizada nas casas de farinha em Feira Grande, foram resgatados trabalhadores que cumpriam jornada de trabalho excessiva, não tinham água potável disponível – trabalhadores ficavam sem água por horas – e também não tinham acesso a banheiros, já que o único disponível estava interditado. A farinha de mandioca também era produzida sob condição de trabalho infantil – 13 adolescentes com idade entre 11 e 17 anos foram flagrados trabalhando. As informações foram repassadas pelo coordenador da operação, o auditor fiscal do Trabalho André Wagner.
Dentre as irregularidades, as máquinas utilizadas na fabricação da farinha de mandioca também ofereciam risco iminente de acidentes no local. Após o resgate, as casas de farinha foram fechadas. Este foi o maior resgate de trabalhadores desde 2012.
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