Sobe para 81 número de vítimas mortas por incêndio na Grécia
Os bombeiros continuavam, nesta quarta-feira (25), buscando pessoas bloqueadas em suas casas ou em veículos carbonizados nas localidades gregas de Mati e Rafina, arrasadas pelos incêndios que deixaram ao menos 81 mortos.
O balanço de mortos nestes incêndios, os mais mortíferos deste século após os da Austrália em 2009, subiu para 81 nesta quarta-feira, informou a porta-voz do serviço de bombeiros, Stavroula Maliri.
Os bombeiros continuam percorrendo o setor em busca de outras vítimas. Mas “nem sempre é fácil entrar nas casas, dado que algumas correm o risco de desabar”, disse à AFP uma agente da defesa civil.
Tendo em vista o estado dos corpos, sua identificação será longa, ressaltou Maliri.
À espera, autoridades e voluntários tentam ajudar os afetados que perderam familiares, casa ou emprego, ou às vezes tudo. O inventário dos danos, que apenas começou, menciona 300 casas e lojas arrasadas ou seriamente danificadas.
Os socorristas continuam a busca, especialmente na cidade de Mati e em Kokkino Limanaki, um bairro da cidade portuária de Rafina, a cerca de 40 km de Atenas, onde há centenas de casas e veículos queimados.
Um jovem irlandês que estava em lua de mel em Mati está entre as vítimas, confirmou a embaixada britânica na Grécia. Sua esposa conseguiu fugir para uma praia, mas foi levada para o hospital com queimaduras. Há ainda três outros estrangeiros entre as vítimas – uma mulher polonesa e seu filho e um cidadão belga.
Maliri disse que os bombeiros continuavam a procurar por corpos depois de receber várias ligações informando de pessoas desaparecidas.
É possível que alguns dos desaparecidos “estejam entre as vítimas”, disse Maliri, acrescentando que foi pedido aos parentes dos desaparecidos que forneçam amostras de DNA para ajudar as autoridades a identificar corpos.
Um total de 187 pessoas foram hospitalizadas devido aos incêndios, e 71 continuavam no hospital nesta quarta-feira, incluindo quase uma dúzia de crianças, a maioria das quais estava em “estado grave”, disseram os serviços de bombeiros.
– “Estresse pós-traumático” –
Segundo os testemunhos, o destino dos habitantes em alguns casos foi decidido “no cara ou coroa”, entre fugir ou permanecer coberto, correr para o mar ou na direção oposta. Em qualquer caso, a praia se revelava o mais indicado, e não o precipício sobre o mar.
“Muitos sobreviventes sofrem de estresse pós-traumático”, ressaltou um responsável do Ministério da Saúde, Theophilos Rozenberg. O ministério mobilizou psicólogos e equipes de saúde, enquanto a água potável e a eletricidade continuam cortadas.
No ginásio de Rafina, transformado em centro de auxílio, o espírito de solidariedade que reina desde terça-feira proporcionou a chegada de comida, medicamentos e roupas, enquanto várias empresas abriram contas para depositar ajuda econômica.
Passado o choque inicial, foi desencadeada uma polêmica em relação a esta catástrofe.
O governo, que declarou três dias de luto nacional, assegurou rapidamente que todas as famílias serão indenizadas, que se encarregaria dos funerais e que exoneraria os sobreviventes de impostos sobre as casas e terrenos, assim como das contas de energia elétrica durante 2018.
Na noite desta quarta-feira, o porta-voz do governo, Dimitris Tzanakopoulos, anunciou um catálogo de medidas. Por exemplo, 10.000 euros de indenização pela perda de um parente próximo, 5.000 por uma casa destruída, se responsabilizar pelos órfãos, e medidas pontuais que chegam até o âmbito universitário.
Também anunciou a criação de uma conta especial para doações, em particular do exterior, dado que vários países já demonstraram grande solidariedade, e mencionou um montante de 40 milhões de euros por parte do Estado grego para recuperar a zona.
– “Tragédia nacional” –
A catástrofe, que vários meios de imprensa qualificaram de “tragédia nacional”, começou na segunda-feira, quando o fogo foi declarado em um monte próximo a Pendeli e foi atiçado por ventos de 100 km/h.
O balanço na zona devastada ultrapassa o de 77 mortos registrados nos incêndios de 1977 no Peloponeso (sul da Grécia) e na ilha de Eubeia (leste).
Nesta quarta-feira chegaram mais de 300 engenheiros à zona do incêndio para acelerar o inventário de danos.
O primeiro-ministro, Alexis Tsipras, ressaltou rapidamente que o fenômeno havia sido “extremo”, e Tzanakopoulos destacou a simultaneidade, na segunda-feira, de “15 focos de fogo sobre três frentes diferentes” na região de Ática.
O maior jornal da oposição, Ta Nea, destacou “a incapacidade” e “o fracasso do governo de proteger seus cidadãos a alguns quilômetros de Atenas”, e chamou a apontar os culpados.
Os especialistas dão ênfase à falta de prevenção e sensibilização da população em risco, ante uma das pragas crônicas do país.
Uma turista americana de férias em Mati comentou que quando viu as chamas na colina de Penteli “ninguém parecia se preocupar. ‘Acontece todos os anos, mas o fogo nunca chega até o mar'”, lhe disseram.
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