Minha Casa, Minha Vida abandona os mais pobres
Imóveis para os mais pobres reduzem 86% nos últimos anos
O programa federal Minha Casa, Minha Vida, criado em 2009 para tentar reduzir o déficit habitacional no país e ajudar os mais pobres a conquistar a casa própria, abanonou a Classe C e passou a focar na classe média, de acordo com matéria veiculada hoje no UOL.
A faixa 1 do programa, destinada a famílias de baixa renda, tem suas construções quase totalmente financiada pela União, com uma pequena contrapartida dos municípios. Nos primeiros seis anos do programa essa faixa era responsável por 45% das contratações, uma média de 23.741 novas unidades habitacionais por mês. A partir de 2015, essa média caiu para 3.291, ou seja, 86% a menos que nos primeiros anos do programa.
Em compensação, o governo federal passou a destinar mais de 90% dos financiamentos para as famílias com maior renda, e que arcam com um percentual maior do valor do imóvel, conforme estudo feito pelas pesquisadoras Karla França e Karine Paiva, para a Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
Apesar das mudanças ao longo dos anos terem significado também uma vantagem para os mais pobres, uma vez que a renda para ser beneficiário da faixa 1 diminuiu, é entre as famílias com renda até três salários mínimos que o déficit habitacional aumentou nos últimos anos, justamente a faixa que acabou abandonada pelo programa.
Contratações do Minha Casa, Minha Vida por faixa:
Período de 2009 a 2014
Faixa 1 - 1.709.346 - 45,5% do total
Faixa 2 - 1.592.277 - 42,4% do total
Faixa 3 - 453.677 - 12,1% do total
Período de 2015 a 2018 (até junho)
Faixa 1 - 138.229 - 9,3% do total
Faixa 2 - 1.167.411 - 78,6% do total
Faixa 3- 180.272 - 12,1% do total
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