Vale diz que não havia risco de rompimento da barragem de Brumadinho
Mineradora rebate hipótese levantadas para tragédia em Minas
Diretores da mineradora Vale contestaram hoje (12) que o rompimento da barragem da Mina do Feijão, no dia 25 de janeiro em Brumadinho (MG), tenha ocorrido por causa do aumento dos níveis de água no reservatório, erro de leitura dos instrumentos, problema com as nascentes existentes nas proximidades ou ocorrência de tremores de terra. Além disso, segundo os diretores, laudos não apontavam risco de rompimento.
"Essa narrativa de que a barragem era insegura e de que houve aumento dos níveis de água não se sustenta. Especulações estão sendo feitas a partir de fragmentos de informação que, se mal interpretados, podem levar a conclusões equivocadas", diz Luciano Siani, diretor de Finanças e Relações com investidores da Vale, em entrevista à imprensa no Rio de Janeiro. De acordo com ele, a barragem não recebia rejeitos desde 2016.
A Polícia Federal investiga se houve acúmulo de água na barragem, o que poderia gerar o fenômeno da liquefação, quando os rejeitos se tornam menos sólidos e mais líquidos, e falhas no sistema de drenagem.
Segundo Lucio Cavalli, diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carvão, a água das nascentes foi canalizada para fora das barragens e as auditorias comprovam que ao longo do tempo caiu o nível da água na barragem.
Os dois executivos também apresentaram documentos da Vale, entre eles um parecer técnico solicitado à consultoria IBPTech e emitido no último sábado (9). O documento revela que houve um problema de configuração na automatização de 46 piezômetros, dispositivo para monitoramento do volume de água. Esta seria a razão da troca de e-mails entre funcionários da Vale, cujo teor foi divulgado por veículos de imprensa nos últimos dias.
"As leituras estão incoerentes. Favor verificar o que aconteceu. Ainda estamos sem leituras para prosseguir com o monitoramento desta barragem à montante. Priorizar isso! Se não encontrarem a falha me liga no celular", diz um dos e-mails. De acordo com Cavalli, assim que o problema de configuração foi resolvido, as medições se mostraram dentro da normalidade. "Houve indicação de diferenças de níveis absurdas. Se fossem verdadeiras as leituras, haveria água jorrando na barragem ou água abaixo do nível da barragem", disse.
Outro episódio relatado pelo diretor diz respeito à instalação de drenos horizontais profundos, em junho de 2018. Após a constatação de um problema em uma das perfurações, a ação teria sido imediatamente paralisada e a normalidade da estrutura verificada após 24 horas.
Laudos
Foram apresentados também trechos do último laudo de estabilidade da barragem apresentado em 25 de setembro de 2018 pela empresa Tüv Süd. O documento assegura que a estrutura possuía fator de segurança acima do mínimo preconizado pela norma NBR 13028/2017. De acordo com os diretores, a Tüv Süd fez recomendações corriqueiras. Das 17, oito já teriam sido atendidas e nove estariam em andamento.
Luciano Siani afirmou ainda que, apesar da licença ambiental obtida pela Vale em dezembro de 2018 para descaracterizar a barragem, nenhum obra havia sido iniciada. "Ainda estávamos cumprindo as condicionantes necessárias para se iniciar o projeto". O diretor disse ainda que o pedido de descaracterização foi apresentado pela empresa em 2015. Segundo ele, a mineradora está empenhada a ajudar nas investigações e todos os dados e documentos já foram compartilhados com as autoridades.

Sismos
Os diretores descartaram a possibilidade de que o rompimento tenha sido influenciado por sismos. Segundo Cavalli, ainda é preciso melhor investigação, mas dados preliminares da Vale apontam não ter ocorrido tremores de terra na região no momento da ruptura, sejam naturais ou provocados.
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