Donos de casas de farinha de Alagoas estão na "Lista Suja" do trabalho escravo
Total de 187 empregadores estão na listagem divulgada pelo Ministério da Economia
Proprietários de duas casas de farinha no município de Feira Grande foram inseridos na "Lista suja do trabalho escravo", divulgada na quarta-feira (3) pela Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério da Economia. O cadastro contém nomes de 187 empregadores de todo o país que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão.
Os proprietários de casas de farinha localizadas na zona rural de Feira Grande, Edmilson Vanderlei Gomes e José Júlio de Farias Júnior, foram alvo de uma operação do extinto Ministério do Trabalho em maio de 2018. Nos dois locais, foram encontradas 92 pessoas que, de acordo com os fiscais, trabalhavam em situação análoga à escravidão, em condições insalubres, sem carteira de trabalho assinada, submetidos a expediente exaustivo e com remuneração abaixo do salário mínimo. Durante a operação, 15 crianças foram resgatadas nas casas de farinha.
Conforme a listagem divulgada, José Júlio empregava 38 pessoas em situação ilegal e Edmilson Vanderlei, outros 52 trabalhadores. Após a operação, quando as casas de farinha foram interditadas, os trabalhadores "resgatados" chegaram a fazer protestos na sede do Ministério Público do Trabalho, em Arapiraca, a favor de seus empregadores, alegando que a raspagem de mandioca servia para complementar a renda da família.
Os manifestantes chegaram a se recusar a dar entrada no pedido de indenizações trabalhistas com o objetivo de não prejudicar os empregadores. Entre esses trabalhadores, além de pessoas sem instrução formal, havia também até estudantes universitários e pessoas com diploma de curso superior, que alegaram trabalhar na casa de farinha porque não conseguiram emprego formal.
A interdição das casas de farinha e o fechamento de outras, por decisão dos proprietários que temiam fiscalização, levou ao procurador do Ministério Público do Trabalho, Rodrigo Alencar, a encabeçar um processo de reestruturação da cadeia produtiva da mandioca em Alagoas. Desde maio do ano passado, audiências com representantes do setor e de gestores nas esfera municipal e estadual foram realizadas com o objetivo de buscar meios para que as casas de farinha passem a funcionar cumprindo as normas de segurança e as leis trabalhistas e ainda manter um preço competitivo para não perder o mercado local para produtos vindos de outras regiões do país, que são fabricados de maneira automatizada.
Além das casas de farinha de Alagoas, empresas de renome estão na lista suja, como a Animale, uma famosa marca de moda feminina, que subcontratava imigrantes bolivianos que recebiam R$ 5 para costurar peças de roupa que eram vendidas por R$ 700. A empresa jutificou o local onde foram encontrados os trabalhadores em situação análoga à escravidão pertencia a um fornecedor, que agiu sem o consentimento da empresa. A lista também contem nomes de uma fazenda de Minas Gerais, onde foram resgatados 348 rabalhaores e uma usina no Paraná, que empregava ilegalmente e submetia a condições desumanas 125 trabalhadores.
A Lista Suja é uma base de dados criada pelo governo federal em 2003, que tem como objetivo expor empregadores que submeteram trabalhadores a condições consideradas análogas à escravidão, e pode trazer prejuízos principalmente para as grandes empresas. O cadastro tem sido utilizado por investidores e bancos para fazer análise de risco e tem sido observada também por empresas brasileiras e entrageiras, que evitam fechar negócio com os empregadores que aparecem na listagem.
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