Morte por aborto em A Dona do Pedaço abala público da Globo
Internautas exaltaram a importância de abordar um assunto tão grave em rede nacional
Edilene, personagem de Cynthia Senek em “A Dona do Pedaço”, da Globo, morreu nesta semana por complicações de um aborto feito em uma clínica clandestina, a mando de Otávio (José de Abreu), dono da casa onde trabalhava como empregada doméstica.
A jovem tinha um caso com o patrão e acabou engravidando. Ele, por sua vez, a obrigou a interromper a gravidez. A cena repercutiu nas redes sociais, visto que o fato se repete com tantas mulheres no Brasil diariamente.
Diversos internautas elogiaram a cena e a abordagem da emissora de levar ao horário nobre um assunto tão preocupante para a sociedade. A própria atriz se manifestou após a despedida da personagem.
“Obrigada, Walcyr Carrasco [autor] e Amora Mautner [diretora] por confiarem em mim para um papel tão delicado e especial, cheio de mensagens como essa, que eu como atriz e ser humano adoro experienciar. Mais uma personagem para meu currículo que me fez aprender e mudar de opinião sobre muita coisa. Edilene se foi, mas nos deixou com um ótimo tema para dialogar: o aborto. Independente de qual seja a sua escolha, o fato é que ele acontece todos os dias. Sendo mais precisa, a cada minuto é realizado um aborto no Brasil. O aborto ser proibido ou não, não faz com que ele não seja praticado. 500 mil mulheres por ano abortam no Brasil. Cada um de nós passa por diversas dificuldades em nossas vidas e cabe somente a nós escolhermos o que é melhor ou não”, afirmou no textão.
Cynthia também usou seus stories para responder perguntas de seus seguidores. Em uma das respostas, ela diz que mudou de opinião sobre as mulheres que decidem abortar.
“Graças a Deus não precisei passar por esse momento para entender o que essas mulheres passam. Estudando sobre isso cheguei a essa decisão. Quem se apoia na embriologia [parte da biologia que estuda a formação de órgãos], é um estágio muito inicial da gravidez. Não existe coração batendo nesse período. Em outros países, um aborto nesse período nem é considerado aborto”, declarou.
A atriz respondeu ainda a um seguidor que questionava se, ao se liberar o aborto no Brasil, as pessoas iriam diminuir os níveis de prevenção à gravidez: “Todas as pesquisas mundiais estão aí para provar que isso é um mito. Quando se descriminaliza algo, o índice diminui”.
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