Arapiraca perde agência dos Correios no bairro Primavera
Posto fazia média de 300 atendimentos por dia e foi destaque nacional
Oficialmente, a agência dos Correios localizada dentro de um supermercado no bairro Primavera, em Arapiraca, existiu até esta sexta-feira (5), mas já faz alguns dias que as portas do estabelecimento, que atendia diariamente cerca de 300 pessoas, está com as portas fechadas. O local, apesar de pequeno, as filas às vezes paravam na parte externa do supermercado, recebia uma média de 150 boletos por dia e, em 2018, chegou a ser destacada, entre as agências do mesmo porte, como uma das mais rentáveis do país, mas mesmo assim não escapou do plano de “reestruturação” dos Correios, que fecha também as portas de mais duas agências em Maceió, uma no Jaraguá - a mais antiga de Alagoas - e outra na Cidade Universitária.
Em todo o país, de acordo com informações da empresa, 161 agências serão fechadas em todo o país até esta sexta, a maior parte delas no Rio de Janeiro e em São Paulo, com o objetivo de fazer uma “readequação da rede de atendimento e da força de trabalho”, de acordo com divulgação feita pelos Correios em maio.
Na prática, em Arapiraca, o fim da agência do bairro Primavera significa um volume de usuários ainda maior na agência central, localizada na praça Luiz Pereira Lima, mas não uma melhora no serviço oferecido. Mesmo com a absorção dos funcionários da agência extinta, há dificuldades em atender a demanda.
De acordo com o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, James Magalhães, o fechamento das agências fazem parte de um plano de desmonte da empresa. “O argumento de que a empresa é um peso para o governo não é verdade. Os Correios é autossustentável, que lucrou R$ 160 milhões no ano passado. Além disso, algumas das agências que estão sendo fechadas são as mais lucrativas, a exemplo da do bairro Primavera, que no ano passado foi destaque em faturação em relação a outras agências do mesmo porte. Tudo faz parte de um plano: com a redução das agências haverá uma piora no serviço e, consequentemente, mais reclamações. Com isso, virá o apoio popular para a privatização da empresa. Bolsonaro afirmou ter este objetivo”, declarou.
Conforme o sindicalista, desde a gestão do ex-presidente Temer, o plano de “reestruturação” dos Correios foi colocado em prática. Além da redução das agências, foi aberto um plano de demissão voluntária (PDV), voltado principalmente para os funcionários aposentados que continuavam trabalhando. Na gestão de Bolsonaro, um novo PDV foi implantado. “Mas além dos aposentados, o que a gente vê é que muitos colegas da ativa, com receio do que pode acontecer se houver a privatização, resolvendo aderir ao plano de demissão. Ou seja, enquanto há esse clima de insegurança entre os trabalhadores, haverá ainda menos pessoas para atender o público. Com tudo isso, o papel social exercido pelos Correios, de manter serviços mesmo nas cidades onde não há lucro, vai por água abaixo”, ressaltou.
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