Diferenças internas podem minar pretensões do PSL em Arapiraca
Presidente do diretório municipal está em rota de colisão com principais nomes do partido na cidade
Enquanto o diretório estadual do PSL tem expectativa de formar uma chapa forte para a prefeitura e de eleger até quatro vereadores em Arapiraca, discussões protagonizadas pelo presidente do diretório municipal, Abelardo Silva, poderão arruinar os planos do partido para a segunda maior cidade de Alagoas.
Segundo informações de correligionários, críticas ao governo Bolsonaro ou outras divergências de opiniões seriam motivos para perseguição por parte do escrivão da Polícia Civil, Abelardo Silva, que nos últimos dias chegou a expulsar alguns membros de grupos de whatsapp do diretório municipal e fez ameaças de expulsão do partido.
"A gente tem que aplaudir 100% o que o presidente fala, não pode discordar e nem ter uma opinião crítica. Eu sou comunicador e a postura do Bolsonaro em relação à imprensa é totalmente desnecessária", afirmou o radialista André Pepes. Ele conta que teve uma discussão com Abelardo Silva por discordar da opinião dele em relação a alguns políticos locais. "Ele falava que um polítíco era traidor só porque votou contra a MP da posse e porte de arma e eu discordei. Não tinha como esse político ser a favor das armas já que ele ficou órfão em uma chacina", declarou.
As divergências provocaram a ira do presidente do PSL, que durante uma discussão em um dos grupos de whatsapp, afirmou que expulsaria André Pepes do partido, antes de excluí-lo dos grupos. O radialista afirmou ter ficado muito decepcionado e que não tem interese em permanecer no partido.
Mas ele não foi o único, outros afiliados também receberam nos últimos dias as mesmas ameaças de expulsão do PSL municipal, seja por tecer opiniões críticas ao governo de Bolsonaro, seja por se posicionar a favor da candidatura de Pedro Carlos para as eleições majoritárias do ano que vem. O empresário José Carlos dos Santos foi excluído dos grupos de whatsapp do diretório municipal por compartilhar informações favoráveis a Pedro Carlos.
O empresário afirmou para o 7Segundos que não sofreu ameaça de expulsão, mas tomou a atitude de Abelardo Silva como uma tentativa de intimidação. "Depois do que ele fez, não seria surpresa se tentasse fazer isso, mas ele não pode. O que vem acontecendo é que ele tem usado suas prerrogativas como policial civil para amedrontar as pessoas, obrigando a apoiar o candidato que ele quer. Mas eu não vou fazer isso e ele não pode me tirar do partido", afirmou.
O advogado Pedro Carlos e o presidente do diretório estadual do PSL, Flávio Moreno, no entanto, colocam panos quentes e tentam diminuir a importância dessa diferenças internas entre os pesselistas e Abelardo Silva. Moreno afirmou que as "divergências" são naturais e que "em poucos dias, todos estarão juntos e se abraçando, como se nada tivesse acontecido". De acordo com o presidente estadual do partido, todas as diferenças serão resolvidas em decorrência de um objetivo maior, que fortalecer o PSL em Arapiraca. Moreno estima que, com a votação que Bolsonaro obteve nas eleições, o partido tem chances de conseguir eleger um prefeito e até quatro vereadores.
Pedro Carlos também ameniza a situação, mas não poupa críticas. Ele afirma que a situação é causada por "infantilidade" e por "ciúmes" e que mesmo que Abelardo Silva quisesse, ele não poderia ser expulso do partido. "Minha filiação é nacional e meu cargo de tesoureiro é estadual. A decisão dele de me tirar dos grupos foi prematura, mas eu jamais sairia do partido. Além de tudo fui tranquilizado pelo diretório estadual. Moreno disse que devemos todos manter a calma porque a situação das eleições só serão resolvidas no ano que vem", declarou.
Abelardo Silva também foi ouvido pelo 7Segundos. Apesar de admitir ter excluído alguns pesselistas de grupos de whatsapp administrados por ele, negou ter feito ameaças de expulsão.
"Para ocorrer a expulsão, precisa ter um processo. Simplesmente houve a exlusão de um grupo de whatsapp, nada a ver com expulsão do partido. O pessoal fica aumentando as coisas", disse, negando que exista um racha no diretório municipal do partido.
Mesmo assim, o escreivão da polícia confirmou ter tido um atrito com o radialista André Pepes. "Ele desafiou e sugeriu que quem tivesse insatisfeito com meu posicionamento, que me excluisse. Então, eu, atendendo ao pedido dele, já que não estamos satisfeitos com o posicionamento dele, consultamos o diretório do partido e ele foi excluído do grupo de whatsapp, mas continua filiado ao partido até o dia que ele quiser", disse.
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