Funcionários do Jerimum sofrem com atraso de salários e assédio moral
Trabalhadores denunciam que não receberam sequer salário de agosto e não podem reclamar
Ser obrigado a caminhar por quase uma hora para chegar ao trabalho porque não tem vale transporte e não tem dinheiro, salário atrasado há dois meses, e não poder sequer perguntar aos chefes quando o dinheiro vai cair na conta. Essa é a situação dos funcionários da empresa contratada pela prefeitura de Arapiraca para administrar o Restaurante Popular Jerimum.
De acordo com uma trabalhadora que mora em um bairro distante do Centro, essa é a realidade dela e dos demais colegas que trabalham na cozinha do restaurante popular, desde que ele foi reaberto no início de agosto. Segundo ela, o grupo que começou a trabalhar desde este período não ecebeu nenhum salário até agora.
"Tem dias que dá vontade de desistir porque nem reclamar a gente pode porque é ameaçada de demissão. O clima é muito ruim. Já nem sei mais se quero continuar trabalhando aqui, mas preciso continuar para receber os salários a que tenho direito", afirmou a funcionária, que pediu para não ter o nome revelado, por temer retaliação. A situação relatada por ela pode ser classificada como assédio moral.
A trabalhadora conta também que, para chegar ao restaurante, precisa caminhar uma grande distância, por residir em um bairro afastado e não poder contar com vale transporte. Às vezes, de acordo com ela, um dos colegas se compadece de seu cansaço e "empresta" o valor da passagem de ônibus.
O restaurante popular Jerimum pertence à prefeitura de Arapiraca e faz parte das ações promovidas pela Secretaria de Desenvolvimento Social. A administração é terceirizada e o nome da empresa contratada não foi divulgado. A empresa passou por processo licitatório e oferece refeições a um preço de R$ 2,60, enquanto a anterior cobrava R$ 4 por refeição.
Segundo a denunciante, os problemas financeiros da empresa vencedora da licitação não se referem apenas ao pagamento dos funcionários. Ela conta que os trabalhadores não usam os equipamentos de proteção individual (EPI) para atuar no manuseio de alimentos e que a quantidade de material de limpeza é insuficiente para higienizar bandejas e talheres.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da prefeitura de Arapiraca, mas até o fechamento desta matéria as perguntas enviadas não foram respondidas e não foi encaminhada nota com o posicionamento do município sobre o assunto.
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